Brasília, 10 (AE) - A subprocuradora-geral da República Yedda de Lourdes Pereira encaminhou na semana passada ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) denúncia contra o juiz do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região (com sede em São Paulo) Paulo Theotonio Costa por tentativa de calúnia. De acordo com a subprocuradora, entre maio e dezembro de 1998, Costa tentou caluniar o juiz Odilon de Oliveira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande (MS). Segundo Yedda, Costa teria pedido a uma pessoa que foi condenada por Oliveira que fizesse uma representação alegando que o juiz tinha lhe pedido dinheiro para amenizar sua situação em um processo criminal.
Além dessa denúncia, Yedda encaminhou outra ao STJ no dia 13 de março. Nela, a subprocuradora alega que, no dia 2 de janeiro de 1998, quando estava de plantão na distribuição de processos do TRF, Costa resolveu fazer o sorteio manualmente ao invés de utilizar o método automático.
No processo manual, ele foi escolhido relator de pedido de revogação da prisão preventiva de um suposto traficante. No mesmo dia, Costa concedeu uma liminar determinando a revogação da prisão. Em 5 de janeiro, os computadores do TRF acusaram que o pedido deveria ser distribuído à juíza Suzana Camargo, que já tinha decidido um habeas corpus do suposto traficante.
Em outro caso que está no STJ e envolve Costa, o ministro Fernando Gonçalves atendeu na semana passada pedido do Ministério Público Federal para investigar o juiz e seu colega do TRF Roberto Luiz Ribeiro Haddad. Em reportagem publicada no ano passado, os dois são acusados de enriquecimento ilícito. Para convencer Fernando Gonçalves, o Ministério Público alegou que Costa é sócio de um empreendimento de sete prédios em Campo Grande e que Haddad comprou entre maio de 1997 e janeiro de 1999 seis chácaras no município paulista de Salto de Pirapora.

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