Em abril do ano passado, a Pastoral da Criança da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) já indicava o aumento da subnutrição no País, principalmente no Norte e no Nordeste.

Segundo relatório divulgado na época com base em dados 1999, das 96 cidades onde há dioceses reunidas pela pastoral, os Estados campeões eram Alagoas e Acre.

Até 1997, 5,7% das 10.983 crianças atendidas pela pastoral estavam abaixo do peso. Em 1999, essa taxa pulou para 11,5%, o que representou um aumento de 102%.

Abaetetuba (PA) foi a região com maior crescimento de desnutrição, segundo o relatório. Dados de rendimento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostravam que 99,9% das crianças viviam em casas sem esgoto e que os chefes de família que recebiam até um salário mínimo eram 38,1% na zona urbana e 46,3% na zona rural.

Agentes dos municípios que registraram aumento da desnutrição relataram a miséria crônica das regiões. Mas os índices de pobreza não têm relação direta com o baixo peso da população.

Apesar de ser o Estado com a maior renda do País, São Paulo também apresentou quadros de desnutrição. Em Santo Amaro (zona sul de São Paulo), por exemplo, a pastoral chegou a distribuir uma multimistura de farinha enriquecida para ajudar a população a ganhar peso.

No mesmo relatório, foi atestada ainda a alta mortalidade infantil no País. Os dados indicaram que, em 1998, 18 crianças de até 1 ano morreram a cada 1.000 nascidas vivas. Também foi apontado o aumento da mortalidade nas regiões ricas: São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. (A.F.)

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