Submarino atracado afunda no cais da Marinha
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terça-feira, 26 de dezembro de 2000
Sonia Araripe Agência Estado 
A Marinha abriu ontem inquérito policial-militar para apurar as causas do afundamento do submarino S-21 Tonelero, o mais antigo da frota brasileira, com 23 anos, que afundou na noite de domingo, às 21h40, quando estava atracado no cais do 1º Distrito Naval, na Praça Mauá (centro do Rio), para reparos havia dois meses e meio.
Nove tripulantes, que estavam de plantão na noite de Natal, tentaram conter o alagamento no compartimento da casa das máquinas, causado por um acidente no sistema hidráulico de controle das válvulas. Os tripulantes não conseguiram conter o dano e tiveram que abandonar o Tonelero. O submarino afundou em cerca de uma hora, sem feridos ou danos ambientais, segundo informou a Marinha.
Os quatro torpedos que afundaram com o submarino estavam desativados, sem qualquer perigo para a população, assegurou o chefe do serviço de Relações Públicas da Marinha, comandante Luiz Fernando Palmer Fonseca, que veio de Brasília para explicar à imprensa o acidente. Segundo ele, o trabalho de resgate do navio que está submerso no fundo do mar, a nove metros, amarrado ao cais deverá demorar no mínimo uma semana.
Para facilitar o resgate do submarino, que pesa 2.410 toneladas, será injetado ar comprimido dentro da embarcação para a retirada da água e o içamento possa ser feito. Ontem, 20 mergulhadores da Marinha começaram o trabalho de resgate, vistoriando o casco e verificando como está o submarino. A área do acidente foi isolada desde a início da manhã e o navio de socorro e salvamento Felinto Perrez chegou ao local para ajudar na operação, que está sendo coordenada pelo almirante Mauro Magalhães Souza Pinto, comandante do 1º Distrito Naval.
O Tonelero estava sendo reparado há dois meses e meio no cais do Arsenal da Marinha e seria liberado dentro de mais 15 dias. Tem capacidade para 70 tripulantes e até 22 torpedos. A embarcação foi fabricada em 1972 na Inglaterra, pelo estaleiro Vickers Barron Inferness, mas, segundo fontes não oficiais, houve um problema na construção: um incêndio atingiu o cabeamento interno do submarino. A Marinha recebeu o Tonelero em 10 de dezembro de 1977.
A embarcação poderia ser utilizada como arma de ataque, mas como o Brasil não participou de guerra nos últimos anos, o Tonelero era usado pelos oficiais para treinamentos. O comandante Palmer da Fonseca disse que apenas depois que o submarino vier à tona e for vistoriado será possível reconstituir o acidente e descobrir o que realmente aconteceu.
O chefe do Estado-Maior da Força de Submarinos, comandante João Carlos Resende, afirmou que em 86 anos de história da Marinha Brasileira nunca houve um acidente com submarinos.
Os nove tripulantes que estavam de plantão na noite de Natal fizeram de tudo para tentar evitar o acidente. Quando constataram que havia um grave problema com as válvulas do sistema hidráulico e nada mais poderia ser feito, eles tiveram que abandonar o submarino, contou Rezende.
O Tonelero tem 90 metros de comprimento, 8,2 metros de largura e 5,5 metros de altura A embarcação é movida a óleo diesel ou a bateria, tem capacidade para 70 tripulantes e pode carregar até 22 torpedos. Na superfície, a velocidade do submarino é de 22 km/h e, submerso, 31km/h.
O Brasil tem outros quatro submarinos, além do Tonelero: três de construção nacional (Tapajós, Tamoio e Timbira) e outro estrangeiro (Tupy), fabricado na Alemanha. O comandante Palmer da Fonseca disse que havia quatro torpedos a bordo inertes, sem qualquer risco de serem detonados, e assegurou que não há riscos ambientais. O Brasil não possui submarinos nucleares, como o russo Kursk, que explodiu e afundou em agosto desse ano, no Mar de Barents, deixando 106 mortos.


