Estudar é sublimar o desejo sexual? Tudo indica que não. Segundo Edward Laumann, ‘‘não há evidências de que a educação suprime o interesse por sexo’’. ‘‘Ao contrário, educação tem uma associação positiva com alto interesse por sexo. Educação está inclusive associada à disposição de tentar novos tipos de prática sexual’’, diz.
O sociólogo cita como exemplo outro dado da sua pesquisa: entre as mulheres que se masturbam, as com educação superior apresentam até 15% menos culpa do que as mulheres com apenas o segundo grau completo. A médica-pesquisadora Diana Helena Benedetto Pozzi, 58 anos, que se encaixa no perfil das ‘‘mulheres sozinhas com alto grau de instrução’’, concorda que estudo não funciona como mecanismo de substituição. ‘‘Não somos coitadas, infelizes, que estudamos muito porque não somos casadas. Quem tem muita atividade intelectual geralmente fica menos voltada para o sexo por uma questão muito prática: tem mais atividades, outras coisas para pensar. Isso vale tanto para mulher quanto para homem’’, afirma Diana, professora na Faculdade de Medicina da USP.
Diana nunca foi casada, mas já morou com um namorado nos EUA - ela trabalhou por dois anos como professora convidada na Cornell University College (NY). ‘‘Essa relação durou cerca de um ano e meio. Quando voltei para o Brasil, já tinha quase 40 anos, resolvi ficar sozinha, mais sossegada. Decidi fazer mais amizades, não há necessidade sexual adoidada, mas há casos, namoros, normalmente’’, diz.

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