Brasília, 23 (AE) - A subestação de energia da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) de Bauru, que foi atingida por um raio na noite de 11 de março causando um dos maiores blecautes da história do País, nunca chegou a ser fiscalizada pessoalmente por técnicos da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), nem da Comissão de Serviços Públicos do Estado de São Paulo. Esta informação foi confirmada nesta terça-feira (23) pelo secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce e pelo diretor-geral da Aneel, José Mário Abdo.
A fiscalização feita pela agência, que deve zelar pela qualidade do sistema elétrico brasileiro para evitar que apagões como o ocorrido este mês, baseou-se apenas nos relatórios enviados pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e pelo Grupo Coordenador de Operações Interligadas (GCOI), da Eletrobrás, antecessor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
"Não fomos lá diretamente", disse Abdo. "Mas acompanhamos os relatórios de desempenho e os programas de manutenção que nos foram enviados", disse.
No dia 12 de março, logo depois do blecaute, o diretor-geral da Aneel garantiu que a subestação de Bauru havia sido fiscalizada e que os relatórios "não apontavam qualquer anormalidade". Na verdade, a subestação só foi visitada por técnicos da Aneel depois do blecaute. O diretor da Aneel, Eduardo Ellery admitiu hoje que ocorreram falhas no sistema de proteção da subestação. "Ele (o sistema de proteção) funcionou, mas deve ter ocorrido uma falha de coordenação no sistema de proteção", disse.
"Até o blecaute, seguramente técnicos da Comissão não estiveram lá", disse o secretário de São Paulo, Mauro Arce, referindo-se à agência estadual reguladora do setor elétrico, que está subordinada à sua secretaria. A Aneel ainda está realizando estudos para identificar a real causa do defeito que, em um efeito dominó que levou alguns segundos, causou a interrupção do fornecimento de 64% da energia de 10 Estados e de parte do Distrito Federal.
Para tentar evitar a repetição desses problemas, o diretor-geral da Aneel afirmou que a agência solicitou que o ONS envie uma relação das subestações consideradas vitais para o sistema elétrico brasileiro. "Vamos mudar a forma de fiscalização", disse Abdo.
A idéia da agência é concentrar a atenção nas subsestações como a de Bauru, que recebe as linhas de transmissão de várias usinas hidrétricas e as repassa para os centros consumidores. "Vamos atuar preventivamente agora", admite Abdo.
A Aneel também deverá implantar cerca de 200 caixas de medição automática em várias concessionárias de distribuição de energia do País, distribuídas por todos os Estados, para verificar a qualidade dos serviços prestados. A agência quer identificar imediatamente o tempo de queda de energia e quantas vezes há queda no fornecimento de cada uma das distribuidoras de energia.

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