Belo Horizonte, 08 (AE) - Em Minas Gerais, uma subcomissão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Assembléia Legislativa terá como missão investigar a fuga do tráficante Fernando Beira Mar. A decisão foi tomada pelos deputados estaduais, depois do encontro com o presidente da CPI nacional, deputado Magno Malta (PTB-ES), ontem (07).
Ele esteve em Belo Horizonte com dois outros integrantes da comissão para colher informações sobre o caso e orientar o trabalho dos parlamentares mineiros, que começarão a tomar depoimentos na próxima semana.
O inquérito sobre a fuga do traficante carioca é o principal interesse da CPI nacional em Minas Gerais. De acordo com Malta, que pediu cópia do processo à Justiça, todos os envolvidos, desde a prisão até a fuga, deverão ser ouvidos também em Brasília. Ele afirmou ainda que deverá ser pedida a quebra do sigilo bancário dos envolvidos.
O traficante carioca foi preso em Belo Horizonte, em 1996, e condenado a 12 anos de detenção. Depois de nove meses, em 25 de março do 1997, escapou misteriosamente pela porta da frente do Departamento de Operações Especiais do Estado de Minas Gerais (Deoesp).
No inquérito sobre a fuga do traficante, pelo menos dez policiais foram indiciados - toda a equipe que fazia o plantão do dia. No entanto, apenas um foi afastado pela Corregedoria de Polícia. Com os fatos revelados pela CPI, o Ministério Público (MP) poderá reabrir o caso e pedir novos depoimentos.
Uma denúncia anônima encaminhada ao presidente da CPI estadual, Marcelo Gonçalves, acusa um deputado estadual - cujo nome está sendo mantido em sigido - de ter coordenado o esquema de corrupção para a libertação de Fernando Beira-Mar. A denúncia está sendo investigada pela Polícia Federal (PF).
Além de requisitar o inquérito sobre a fuga de Fernando Beira-Mar, o presidente da CPI nacional do Narcotráfico teve em Belo Horizonte um encontro com o juiz responsável pela condenação do traficante, o titular da Vara Especializada em Tóxicos, Eli Lucas Mendonça. As informações reveladas pelo juiz serão repassadas aos demais membros da comissão. De acordo com Malta, o relato do juiz é muito importante para os trabalhos da CPI.

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