Sub-secretário-geral rebate Chirac sobre política protecionista
PUBLICAÇÃO
domingo, 27 de junho de 1999
Por Roberta Jansen e Mônica Ciarelli 
Rio, 28 (AE) - O sub-secretário-geral de Integração, Assuntos Econômicos e Comércio Exterior do Itamaraty, embaixador José Alfredo Graça Lima, rebateu hoje a declaração do presidente francês, Jacques Chirac, de que a França não adota uma política protecionista na área agrícola. "A partir de um certo raciocínio, todo protecionismo é lendário", disse. "Porque nenhum país se julga protecionista; julga que tem a proteção adequada a sua realidade."
Na avaliação de Lima, é evidente que a França e a Europa
de forma mais ampla, adotam medidas protecionistas na agricultura. "Eles têm de admitir que ainda usam determinadas medidas e restrições para produtos agrícolas que não adotam para produtos industriais", afirmou.
"Não há dúvida de que, como vem sendo noticiado, existe um défcit comercial de US$ 7,5 bilhões entre a União Européia (UE) e o Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul)." Ele lembrou que esse número justifica o interesses dos países do Mercosul de renegociar as tarifas impostas aos produtos da região. "Qualquer queda de barreira que não se consiga com persuasão deve ser feita por meio de uma negociação."
O embaixador disse hoje que a tarifa de 35% para os produtos industrializados brasileiros, fixada na Organização Mundial do Comércio (OMC), será um "trunfo negociador" durante a Rodada do Milênio, que começa em novembro. Ele lembrou que, atualmente, a tarifa média para produtos industriais aplicada no Mercosul é de 12,5% - a mais alta gira em torno de 20%. "A partir de um consenso entre os produtores locais e a sociedade civil, o Brasil poderá fazer reduções para produtos industriais", disse.
Lima anunciou que as negociações do Pacto Andino com o Brasil serão finalizadas até sábado (03), em Lima. "Os negociadores vão terminar o texto do acordo de preferências tarifárias", explicou. Os países andinos (Bolívia, Venezuela, Colômbia, Equador e Peru) têm isenção de tarifas na comercialização de produtos agrícolas na Europa em função de um tratado de incentivo à troca de cultivo de matérias-primas de drogas por outros plantios.


