Stress mental pode afetar gravemente o coração
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de março de 2002
Agência Efe 
Washington - O stress mental pode reduzir o fluxo sanguíneo que chega ao coração e aumentar o risco de morte em pessoas com doenças coronárias, segundo pesquisa da Universidade da Flórida. O estudo será publicado na edição de hoje da revista Circulation, da Associação Americana do Coração.
David Sheps, da Universidade da Flórida, que orientou a pesquisa, considera o risco de morte em pacientes com isquemia três vezes maior.
A isquemia, que ocorre quando o fluxo sanguíneo nas artérias coronárias não é suficiente, pode ser uma das consequências do stress mental. Os pacientes, que têm isquemia devido ao stress mental apresentam um risco de morte três vezes maior que as pessoas sem stress mental, declarou Sheps.
Os pesquisadores utilizaram imagens das artérias e do músculo cardíaco para detectar os chamados movimentos anômalos nas paredes do coração durante o bombeamento do sangue. Normalmente, os movimentos do coração são harmoniosos e simétricos. Contudo, com a isquemia, algumas partes se contraem com menos força ou de forma anormal.
O stress mental, explicaram os pesquisadores, aumenta a demanda de oxigênio devido ao incremento da pressão sanguínea e do ritmo dos batimentos cardíacos. A resistência vascular e a vasoconstrição das artérias coronárias durante o stress mental também diminuem o fluxo sanguíneo.
Os autores afirmaram que outros fatores psicológicos, como a raiva e a depressão, não evidenciaram um aumento do risco de morte neste estudo, embora em outros tenham sido considerados fatores de risco.
A pesquisa estudou 196 pacientes com doenças coronárias, que tinham pelo menos uma das artérias obstruídas ou que sofreram um pré-infarto. Todos eles foram acompanhados durante 3,5 a 5,2 anos, em média. No início da pesquisa, os participantes foram submetidos a um teste de stress psicológico.
Mediante um estudo que proporciona imagens sobre as paredes do coração, puderam detectar as anomalias produzidas pelo stress mental. Essas anomalias foram detectadas em 20 por cento dos pacientes.


