Londres, 12 (AE-AP) - O ministro do Interior britânico, Jack Straw, confirmou hoje (12), no Parlamento britânico, sua intenção de libertar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet ante a conclusão de peritos médicos de que ele está clinicamente incapacitado de suportar um processo de extradição para a Espanha. Ignorando as acusações dos parlamentares conservadores - muitos dos quais apoiadores de Pinochet -, ele reiterou que as partes envolvidas no caso têm sete dias para apresentar recursos. Após esse prazo, Straw tomará uma "rápida decisão" sobre o futuro do general.
Os conservadores britânicos acusaram o ministro trabalhista de atuar de forma "incompetente e desleixada" durante os 15 meses da batalha judicial sobre o caso Pinochet, que custou milhões de libras esterlinas aos cofres do Reino Unido. Ressaltando que seu papel "quase judicial" na questão o impedia de fazer muitos comentários, Straw rechaçou as críticas assegurando que manteve uma "atitude objetiva" em relação ao processo.
Em Madri, numa aparente demonstração de resignação com a possível decisão britânica de repatriar Pinochet, o juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón disse hoje que o processo judicial que resultou nos 15 meses de detenção do ex-ditador em Londres já tinha sido "um êxito". "A libertação de Pinochet era uma das possibilidades que podíamos prever", disse o juiz, que emitiu a ordem internacional de prisão contra o ex-ditador. "Mas ela não tira o êxito do procedimento judicial que abrimos, uma vez que a Justiça espanhola cumpriu seu dever pedindo a extradição, que só deve ser negada por razões humanitárias."
Fontes da Audiência Nacional de Madri anunciaram hoje que Garzón deu um prazo de 24 horas para que as partes envolvidas no processo contra Pinochet façam chegar a ele as observações sobre a prevista decisão britânica de libertar o general. O ministro de Relações Exteriores da Espanha, Abel Matutes, porém, indicou hoje que o governo espanhol não deve apresentar recurso para impedir o retorno de Pinochet ao Chile. "Creio ser impróprio apresentar recursos porque o governo espanhol não tem nenhuma razão para compartilhar de uma decisão que é da exclusiva jurisdição do ministro do Interior britânico, Jack Straw", declarou Matutes.
Em Paris, o juiz Roger le Loire, encarregado das investigações sobre o desaparecimento de cinco cidadãos franceses durante o regime militar chileno, exortou hoje o governo da França a agir o mais rápido possível para garantir que o ex-ditador do Chile Augusto Pinochet possa ser interrogado no país.
Le Loire enviou uma carta ao chanceler Hubert Vedrine pedindo providências imediatas em razão do comunicado emitido pelo governo britânico sobre a impossibilidade de Pinochet enfrentar um julgamento por causa de sua precária saúde. O juiz salientou que o pedido de extradição enviado pela França a Londres em novembro vai tornar-se inviável se ele for libertado.
Em Genebra, o pedido de extradição contra o ex-ditador chileno, apresentado pela Suíça à Grã-Bretanha em outubro de 1998, continua válido, disse hoje o porta-voz da Polícia Federal suíça, Folco Galli. De todos os modos, acrescentou Galli, se Pinochet não será extraditado para a Espanha por motivo de saúde
é verossímil que não seja também para a Suíça.
O promotor-geral de Genebra, Bertrand Bertossa, que pediu a extradição de Pinochet, considera que a Grã-Bretanha está "preparando uma saída hipócrita para o caso".

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