Brasília, 21 (AE) - O ministro Flávio Flores da Cunha Bierrenbach, do Superior Tribunal Militar (STM), aceitou denúncia do Ministério Público Militar e determinou hoje a abertura de um processo contra o general Newton Cruz, ex-chefe da Agência Central do Serviço Nacional de Informações (SNI). Cruz é acusado de prestar falso testemunho no inquérito policial-militar (IPM) sobre o atentado no Riocentro, ocorrido em 30 abril de 1981, na cidade do Rio de Janeiro, no qual morreu o sargento Guilherme do Rosário.
Bierrenbach determinou que Newton Cruz compareça ao STM no próximo dia 12, às 14h30, quando deverá ser interrogado. O ministro também atendeu ao pedido para que sejam apuradas anotações funcionais e antecedentes pessoais do general.
A denúncia foi baseada no fato de Newton Cruz ter se negado a declarar os nomes de dois militares que supostamente sabiam com antecedência sobre a explosão das bombas. Cruz alegou que não revelaria a identidade dos militares porque eles estavam protegidos pelas regras do então SNI.
O procurador-geral da Justiça Militar, Kleber de Carvalho Coêlho, sustenta que Cruz soube previamente da decisão de promover o atentado, mas não tomou nenhuma providência para evitá-lo. Pelo Código Penal Militar, o general pode ser condenado a uma pena de dois a seis anos de reclusão.
No atentado investigado, duas bombas explodiram no Riocentro
onde ocorria um show de música popular. A primeira explosão aconteceu no carro do então capitão Wilson Machado, que foi indiciado no IPM. Uma segunda bomba explodiu minutos depois na casa de força.

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