Brasília, 14 (AE) - O Superior Tribunal Militar (STM) define quarta-feira (16) se vai liberar para o procurador-geral da Justiça Militar, Kleber de Carvalho Coêlho, os autos originais do Inquérito Policial-Militar (IPM) que investigou a explosão de bomba no Riocentro, em 1981, durante show em comemoração do Dia do Trabalho. O procurador-geral pediu ao STM o inquérito porque precisa do laudo cadavérico do sargento Guilherme Pereira do Rosário, passageiro do Puma em que se encontrava a bomba, entre outros documentos, para fundamentar a solicitação que fará ao comandante do Exército, Gleuber Vieira, para reabertura do caso Riocentro.
Depois de ler várias vezes o IPM, que conseguiu temporariamente emprestado, e de tomar depoimentos de 11 militares, Coêlho concluiu que não é correta a versão oficial de que algum grupo radical de esquerda ou da direita teria colocado a bomba no carro ocupado por dois militares, dada pelo encarregado do inquérito, Job de Lorena SantAnna.
O procurador acredita que o capitão Wilson Luiz Chaves Machado, piloto do Puma e sobrevivente, e o sargento Rosário eram os verdadeiros portadores da bomba. "Eles levavam a bomba", afirmou o procurador, semana passada, ao anunciar a decisão de pedir a reabertura do caso.
Coêlho teve acesso a um estudo criminalístico que diz que a bomba estava no colo da vítima. Se o STM decidir quarta-feira entregar o IPM arquivado, Coêlho pedirá ao comandante do Exército a instauração de um novo inquérito, ainda esta semana. Um oficial, provavelmente um general, deverá ser nomeado para comandar o novo IPM e disporá de 40 dias para reavaliar o caso, fazer novas diligências e tomar outros depoimentos. Esse prazo, de acordo com o que adianta Coêlho, pode ser prorrogável por mais 20 dias. O comandante do Exército é quem escolhe o encarregado do novo IPM.

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