Belém - O julgamento dos 149 policiais militares acusados pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, no Pará, foi suspenso ontem pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O ministro Jorge Scartezzini concedeu liminar em um mandado de segurança em favor de Alderino Alves Pereira, pai de um militante do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), Oziel Alves Pereira, morto no dia 17 de abril de 1996.
Com a decisão, o julgamento, que começaria segunda-feira, só será feito depois que as Câmaras Criminais Reunidas do Tribunal de Justiça do Pará julgarem o pedido de suspeição da juíza da 1ª Vara Penal de Belém, Eva do Amaral Coelho, que presidirá o julgamento. O MST acusa a juíza de estar agindo com parcialidade na condução das providências para a instalação do Tribunal do Júri.
Ela, diz o MST, estaria favorecendo os militares, principalmente ao negar-se a incluir no processo o laudo do perito Ricardo Molina, da Unicamp, que demonstra ter sido a PM quem deu o primeiro tiro no conflito que resultou nas 19 mortes.
Na última segunda-feira, o TJ do Pará mandou a juíza incluir o laudo no processo.
A direção do MST comemorou a decisão do STJ. ‘‘Nós sempre defendemos um julgamento sério e transparente’’, disse o advogado do MST Carlos Guedes Amaral.

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