STJ pode julgar habeas-corpus de ex-prefeito de Bauru esta semana
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sábado, 15 de maio de 1999
Por Márcia Furlan 
São Paulo, 16 (AE) - O pedido de habeas-corpus do ex-prefeito de Bauru, Antônio Izzo Filho, que se entregou à polícia na sexta-feira após ficar por dois meses foragido, pode ser julgado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, nesta semana. O prefeito, expulso do PPB em março, foi cassado duas vezes pela Câmara Municipal por improbidade administrativa e teve pedido de prisão decretado pelo Tribunal de Justiça de Bauru por extorsão e atentados.
Embora não esteja na pauta do STJ, a expectativa é de que o julgamento ocorra na terça-feira. O processo concluído foi enviado na sexta-feira ao ministro José Arnaldo da Fonseca, relator da 5ª Turma do STJ, responsável pelo julgamento do mérito, no mesmo dia em que Izzo se entregou.
O advogado do ex-prefeito, Ailton Gimenez, negou que a apresentação de seu cliente às vésperas do julgamento faça parte de alguma estratégia. Ele explicou que Izzo Filho permaneceu foragido até agora porque estava "buscando condições psicológicas para se entregar".
O deputado estadual Pedro Tobias (PDT), que acompanha o caso, acredita entretanto que alguns fatos recentes têm levantado suspeitas acerca do processo. De acordo com um documento denominado "alerta à sociedade" e encaminhado por ele a parlamentares, ao STJ e a órgãos de imprensa, a entrada no caso, no início do mês, de uma nova advogada, Concita Ayres Cernicchiaro, "causa espanto e perplexidade".
Ela é mulher de outro ministro do STJ, Luiz Vicente Cernicchiaro, que pertence à 6ª turma e também desde o início do mês participa do caso em substituição a outro ministro.
Ele destaca ainda que, no dia 6 de maio, a advogada entrou com uma petição em favor de Izzo Filho cujo teor não foi revelado. No mesmo dia, o gabinete do ministro Cernicchiaro requisitou o processo.
Na época, a assessoria de imprensa do órgão não soube explicar por que a matéria se encontrava com ele, se não era o relator do caso. Os fatos, segundo o deputado, sugeram "algo de imoral".
"É preciso fiscalizar para que a sociedade bauruense não seja novamente surpreendida e agredida por decisões contrárias aos seus interesses", afirmou.


