STJ mantém julgamento de Carli Filho
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
José Marcos Lopes Especial para a Folha 
O ministro Sebastião Reis Júnior, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou o pedido da defesa do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho para suspender o julgamento marcado para a próxima semana. Carli Filho é réu por duplo homicídio por ter se envolvido em um acidente de trânsito, em maio de 2009, em que morreram Gilmar Rafael de Souza Yared, 26 anos, e Carlos Murilo de Almeida, 20, no bairro Mossunguê, em Curitiba.
A defesa de Carli Filho, que era deputado estadual na época do acidente, recorreu ao STJ para tentar suspender o julgamento, que está marcado para os dias 27 e 28, terça e quarta-feira da próxima semana, no Tribunal do Júri, em Curitiba. O pedido foi negado na noite de terça-feira (20) pelo ministro Sebastião Reis Júnior. A defesa do ex-parlamentar já havia tentado o desaforamento do caso, com o objetivo de retirar o julgamento de Curitiba, e consequentemente do Tribunal do Júri, mas o pedido foi negado pela 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).
"Sabemos que até o último minuto pode acontecer alguma coisa, embora os recursos estejam praticamente esgotados", afirmou nesta quarta-feira (21) Christiane Yared, mãe de Gilmar Yared. "Esse será um júri histórico, um divisor de águas. Nossa esperança é que o júri possa mostrar para a sociedade que não vivemos no país da impunidade. Infelizmente, hoje a grande maioria dos brasileiros tem a certeza da impunidade. As pessoas são responsáveis pelos atos que cometem e devem assumir seus erros".
O advogado Elias Mattar Assad, assistente da acusação, avalia que o processo é um "exemplo clássico" de crime no trânsito. "Tem de tudo, tem condutor com 130 pontos na carteira de motorista, 90% deles por excesso de velocidade, confissão do acusado de que bebera antes do desastre e perícia dando conta que velocidade era de 167 a 172 quilômetros por hora", disse. Defesa e acusação arrolaram cinco testemunhas cada.
O acidente ocorreu na madrugada do dia 7 de maio de 2009, na rua Ivo Zanlorenzi. As imagens captadas por radares de trânsito da prefeitura de Curitiba e por câmeras de segurança de prédios da região não fazem parte do processo, pois não foram reveladas. Carli Filho confessou posteriormente, em vídeo publicado no Facebook, que havia bebido antes de dirigir. Segundo testemunhas, ele teria bebido quatro garrafas de vinho com amigos em um restaurante na Praça da Espanha, no bairro Batel, mas o exame de alcoolemia foi excluído do processo. Os dois jovens morreram na hora. A reportagem entrou em contato com a defesa de Carli Filho, mas não obteve posicionamento.


