Porto Alegre - O Superior Tribunal de Justiça (STJ) indica hoje o relator que terá ''liberdade ampla' de apuração para investigar um dos seus próprios integrantes, o ministro Vicente Leal de Araújo, acusado de supostamente conceder habeas corpus irregularmente para o traficante Leonardo Dias Mendonça.
Ontem, o presidente do STJ, Nilson Naves, afirmou em Porto Alegre, que ''o Judiciário está passando por um momento difícil'', mas, ''em mais dias ou menos dias (o prazo para a finalização das apurações não está definido), o Brasil terá o resultado disso (das investigações)''.
Naves disse, também, que, entre suas atribuições investigativas ''amplas'', o relator a ser indicado hoje, que será um outro ministro, poderá, por exemplo, recorrer à Polícia Federal para definir seu convencimento a respeito do caso. Poderão ser apurados documentos, ouvidas testemunhas e feitas diligências.
''Convivemos com instituições fortes. Nossas instituições estão se solidificando cada vez mais, e o Judiciário não fica atrás disso. Queremos que ela (a instituição Judiciário) fique mais forte ainda. Por isso, esses acontecimentos devem ser apurados, mas eles, por si só, não abalam a solidez do STJ'', disse.
Naves afirmou que a abertura do procedimento administrativo ocorrerá ''a pedido do próprio ministro Vicente Leal''. O ministro investigado, porém, evitou domingo estar na inauguração do novo prédio do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4 Região, que funciona em Porto Alegre e tem competência sobre o Sul.
Araújo é citado a partir conversas telefônicas grampeadas na investigação ''Operação Diamante'', executada pela Polícia Federal, que trata do tráfico de armas e drogas. Também são suspeitos no mesmo caso os juízes federais Eustáquio Silveira e Fernando Tourinho Neto, do TRF da 1 Região.
Ontem de manhã, o ministro Vicente Leal de Araújo, afirmou à reportagem que considera ''injusta'' a forma de ''degradação nacional'' a que estaria sendo submetido pela mídia. Após concordar com uma entrevista, o ministro desmarcou o encontro que aconteceria na tarde de ontem.
Além de Araújo, outras 23 pessoas foram presas sob acusação de integrar quadrilha de narcotraficantes que teria ligação com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e com Fernandinho Beira-Mar.

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