Brasília, 04 (AE) - O Supremo Tribunal Federal (STF) encaminhou hoje ofício ao presidente da CPI do Sistema Financeiro, senador Bello Parga (PFL-MA), comunicando a decisão do ministro Celso de Mello de conceder liminar que suspende a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do advogado do Banco Marka Luiz Carlos Barretti Junior. A CPI terá agora que prestar esclarecimentos ao STF justificando a necessidade da quebra dos sigilos para que o ministro Celso de Mello reaprecie a sua decisão.
A liminar do STF suspende também a busca e apreensão dos documentos do advogado, que alegou "abuso de poder" da CPI no mandado de segurança apresentado ao STF.
O senador Roberto Saturnino (PSB-RJ), integrante da CPI, defendeu hoje a quebra dos sigilos e a busca e apreensão dos documentos do advogado Luiz Carlos Barretti. "O pedido estava fundamentado, porque o advogado está envolvido em operações altamente suspeitas", disse Saturnino. Para ele, a liminar do ministro Celso de Mello "abre uma precedente muito grave" contra os trabalhos da CPI. "Eu só tenho a lamentar, são entraves e mais entraves, é de desanimar", desabafou Saturnino. Segundo o senador, o instrumento de quebra de sigilo é importante para que a CPI consiga informações que as testemunhas "não contam".
O relator da CPI, senador João Alberto Souza (PMDB-MA), admitiu que a liminar cria um "embaraço" para os trabalhos da CPI, que segundo ele não pode prescindir dessas informações. O presidente da CPI não quis antecipar hoje se a CPI vai recorrer contra a liminar do STF, mas informou que qualquer decisão sobre o assunto será tomada somente em conjunto, por todo o plenário da comissão. "Vamos cumprir a decisão e, se for o caso, contestá-la de acordo com a orientação da assessoria jurídica da CPI", disse Parga.

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