STF suspende júri de ex-deputado Carli Filho
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - Faltando uma semana para o início do júri popular do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, inicialmente marcado para 21 e 22 de janeiro, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu um habeas corpus a favor da defesa, suspendendo assim o julgamento. O ex-parlamentar é acusado da morte de Gilmar de Souza Yared, de 26 anos, e de Carlos Murilo de Almeida, de 20, em um acidente automobilístico ocorrido na capital, em 2009. A decisão, de caráter liminar, foi proferida anteontem, pelo próprio presidente da corte, Ricardo Lewandowski, e vale até que seja julgado o mérito da questão. Não há uma data certa para que isso aconteça.
Carli Filho responde pelo crime de homicídio doloso eventual (quando o envolvido, mesmo sem querer efetivamente o resultado, assume o risco). Na época, um exame no hospital mostrou que o então parlamentar tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue. Como o procedimento foi feito enquanto ele estava desacordado, porém, acabou desconsiderado pela Justiça. Ele também estaria em alta velocidade. A defesa, comandada por Gustavo Scandelari, do escritório do professor René Dotti, busca mudar a classificação para duplo homicídio culposo na direção de veículo automotor, alegando que os jovens não respeitaram a via preferencial.
De acordo com a tese, como o recurso ainda está pendente de análise, pela 6ª turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), seu resultado pode mudar o rumo do caso. "Essa circunstância, portanto, ao menos em juízo de mera delibação, evidencia a plausibilidade da pretensão liminar, sobretudo porque a definição do mérito, por ora, poderia importar sério prejuízo ao paciente, que, como visto, aguarda a preclusão de teses defensivas ainda não julgadas", escreveu Lewandowski.
"A defesa recebe a notícia com tranquilidade, porque o pedido que fizemos está fundamentado na lei. É um pedido justo e atende ao próprio interesse público", afirmou Scandelari. Segundo ele, não é possível realizar um julgamento sem analisar todos os agravos. "O ministro concordou que é uma questão de prudência. Dependendo da decisão, como fica? Teria que se anular o júri, causando uma frustração social", completou.
ESPANTO E REVOLTA
Já o assistente da acusação, Elias Mattar Assad, se disse espantado com a interpretação. "O STF rompe com a jurisprudência do próprio Supremo, que diz que recursos especiais e extraordinários não têm efeito suspensivo. Achei o despacho apressado. Foi um excesso de cautela." Ele contou que pretende trabalhar para revogar a decisão. "Para nós, é só um adiamento. Não estamos preocupados com a prescrição, que é de 20 anos, e sim em chegar ao dia do julgamento, coisa que a defesa foge."
Mãe de uma das vítimas, a deputada federal Christiane Yared (PTN) se manifestou por meio das redes sociais. "Um sentimento de revolta e uma mistura de dor insuportável, com indignação e senso de injustiça me acendem como fogo. Quando é que o meu filho vai descansar em paz? Até quando o poder econômico e troca de favores políticos irão influenciar a Justiça Brasileira, ou a falta de Justiça? Como esses quase sete anos enfrentando ameaças, pressão, esperando pelo desfecho do caso têm sido difíceis. Não há um dia sequer que eu não sofra pela ausência do meu filho. A sociedade brasileira não suporta mais trocar filhos por cestas básicas. Não peço muito. Só o que me é de direito: justiça!"


