STF libera contas do Marka e Cacciola tem acesso a R$ 2,1 milhões
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domingo, 20 de junho de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 21 (AE) - Com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de liberar as contas do Banco Marka, tomada na última sexta-feira, o ex-controlador da instituição, Salvatore Cacciola
está autorizado a movimentar um total de R$ 2,11 milhões que foram depositados pelo Banco Central na conta que o Marka tem em outra instituição financeira, no caso o Banco Stock Máxima.
Segundo explicou o diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez, como dono do Marka, Cacciola tem acesso ao dinheiro.
Isso porque o banco foi transformado em outra empresa que também está sob o seu comando. A partir do escândalo sobre a ajuda que deu ao Marka, em janeiro último, por causa da crise cambial, o Banco Central exigiu que o banco cessasse suas operações e fosse transformado em instituição não financeira. Tudo para evitar a liquidação extrajudicial do Marka.
Com o fim das operações financeiras, restaram ao Marka os R$ 2 11 milhões de suas reservas bancárias depositadas no BC. A conta de reservas é uma conta que os bancos têm no BC, como se fosse uma conta-corrente. Os recursos depositados nela pertencem às instituições e são derivados, dentre outras operações, de compulsórios que o Banco Central impõe aos bancos.
De acordo com Alvarez, quando o Marka encerrou suas operações financeiras, havia o saldo da conta de reservas que foi depositado no Stock Máxima a pedido do próprio Marka. "Era um dinheiro de terceiros que o Banco Central não podia reter sob pena de estar cometendo uma ilegalidade", afirmou o diretor.
Ele explicou que, quando um banco encerra suas operações e tem saldo na conta de reservas bancárias, pode indicar outro banco para o depósito. "O Marka poderia ter sacado o dinheiro por outros meios", disse Alvarez. Ele garantiu que o banco de Cacciola poderia, por exemplo, recorrer ao Banco do Brasil requisitando numerário, ou seja, dinheiro em espécie, para pagar credores. Este tipo de operação tem impacto nas reservas.
O depósito do BC foi feito no dia 29 de março. Logo depois Cacciola tentou sacar o dinheiro mas, consultado pelo Stock Máxima, o BC pediu que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos bancos, formada para investigar a ajuda do BC não só ao Marka, mas também ao FonteCindam, determinasse a indisponibilidade dos recursos. A decisão do Supremo de levantar esta indisponibilidade, no entanto, garantiu o acesso de Cacciola ao dinheiro.


