Salvador, 16 (AE) - O Supremo Tribunal Federal (STF) vai julgar nos próximos dias o pedido de recontagem de votos na eleição de 1994 para o Senado na Bahia. O ministro Sepúlveda Pertence, do STF, deu provimento, na semana passada, ao recurso movido pelo deputado federal e ex-governador Waldir Pires do (PT-BA), candidato derrotado ao Senado, e por dez partidos de oposição, que viram indícios de fraude na eleição de senador.
A fraude, supostamente, teria beneficiado o então candidato do PFL, Waldeck Ornélas, hoje, ministro da Previdência Social. O pedido de recontagem, provavelmente, é o último caso pendente da eleição de 1994 e um exemplo da morosidade da Justiça, além de revelar uma persistência incomum de Pires. A oposição baiana sempre acusou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de retardar o processo. Segundo Pires, só para se ter uma idéia desse atraso, o TRE demorou um ano e quatro meses para indeferir o pedido inicial e mais um ano e sete meses no levantamento sobre as médias destoantes dos votos válidos, nulos e brancos, em 8.389 urnas.
Foram exatamente as médias destoantes que levaram os oposicionistas a desconfiar da fraude. Uma perícia determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1995 comprovou discrepâncias em mais de 4 mil urnas.
A oscilação das médias eleitorais de Ornélas contrariou até a lógica politica da Bahia: mesmo sendo um nome desconhecido
ele conseguiu mais votos que o líder político dele, o senador Antonio Carlos Magalhães (o outro canditado eleito do PFL) em 1.410 urnas. Ganhou a vaga de Pires, com uma diferença de 0,03% dos votos.
Mesmo diante das imensas dificuldades para tocar um processo desse tipo, Pires afirma que não vai desistir. "Se abandonarmos o respeito aos princípios, a Nação degrada-se e a democracia apodrece: ninguém pode ser omisso e complacente com a corrupção", declarou. Pela decisão de Pertence, que julgou um agravo de instrumento impetrado pelos advogados de Pires para contestar decisão do TSE que, estranhamente, negou o pedido, sem conhecer o mérito da recontagem, o processo deve ser apreciado pelos membros do STF na pauta do plenário dos próximos dias. A novela não terá o capitulo final no Supremo. Caso o recurso seja acolhido, o pedido de recontagem volta para o TSE, onde o mérito da matéria será, não se sabe quando, finalmente, apreciado. Pires alimenta uma tênue esperança de que o caso se resolva antes do término do mandato de senador, que dura oito anos.

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