Brasília, 08 (AE) - O Supremo Tribunal Federal (STF) deve enviar amanhã (09) à Câmara o segundo pedido de licença para processar o deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), dessa vez, por acusação de sequestro e cárcere privado. Segundo o relator de outro pedido de licença pedido pelo STF, deputado Inaldo Leitão (PMDB-PB), o processo será juntado ao que ele está relatando.
O relator deve apresentar o parecer até o dia 15. Pascoal enviou hoje a defesa à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde rebate as acusações do primeiro pedido de licença para o processar, enviado há um mês pelo Supremo. A acusação é de porte ilegal de arma, resistência à prisão e desacato a agentes da Polícia Federal (PF), durante uma operação de busca e apreensão ordenada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) em sua casa, no Acre, em outubro.
Leitão espera quarta-feira (10) para testemunhar na CCJ um dos policiais que foram à casa de Pascoal com o mandado de busca, o policial federal Jonas Ferreira Leite, além de pelo menos dois dos três juízes que expediram o mandato de segurança: Jair Araújo Fagundes, Denise Castelo Bonfim e Marco Antônio Nunes Barbosa.
Os três juízes são acusados no texto de defesa de Pascoal de ter expedido o mandado como "vingança" e, ao mesmo tempo, são as únicas testemunhas de defesa apontadas pelo deputado federal do PFL do Acre.
Neste segundo processo que será enviado pelo STF, Pascoal é acusado de ter sido o autor intelectual do sequestro de Clerisnar dos Santos Alves e dos dois filhos menores dela, em julho de 1996. As vítimas teriam sido encapuzadas e levadas para um sítio, no interior do Acre. Lá, Clerisnar afirmou ter sido interrogada sobre o paradeiro do marido, Hugo dos Santos Alves.
Hugo dos Santos Alves vinha sendo procurado pela polícia como suspeito do assassinato do irmão do deputado, Itamar Paschoal. Segundo Clerisnar, nos quatro dias de sequestro, Pascoal e o primo dele, o coronel da Polícia Militar Aureliano Paschoal, a interrogaram sobre o paradeiro do marido. Ainda segundo a vítima, depois do interrogatório, foram levados a São Paulo, de avião, onde ficaram presos na casa do deputado por mais 15 dias, quando conseguiram fugir.

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