Rio, 01 (AE) - Ao conceder o auxílio-moradia de até R$ 3 mil como forma de abortar a greve dos juízes, o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou de lado o papel de árbitro das grandes questões do País, passou por cima da lei, agiu de forma corporativa e arranhou a imagem do Poder Judiciário. A opinião é do professor de Ciência Política e pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj) Luiz Werneck Vianna. "O Executivo e o Legislativo conseguiram sair-se bem, enquanto o Judicário acabou exposto por causa de uma má negociação."
O professor do Iuperj disse que o Supremo deveria ter deixado os juízes entrarem em greve. Dessa forma, teria sofrido menos desgaste. "O saída agora é o STF anular a decisão", disse Vianna, em relação à liminar concedida pelo ministro Nelson Jobim que possibilitou a concessão do auxílio-moradia.
A opinião é compartilhada pelo jurista Miguel Reali Júnior. O pior de tudo é que não houve greve, mas a Justiça foi desmoralizada, afirmou Reali Júnior, irritado com a liminar. "O jeitinho brasileiro não poder chegar ao STF", disse. "Não há cidadão que consiga engolir essa situação."
Para o constitucionalista Carlos Sundfeld, o STF deve cobrar do Executivo e do Legislativo uma solução de curto prazo para a fixação do teto salarial do funcionalismo público."É o momento para que os outros dois Poderes tenham a coragem de cumprir seus papéis", disse Sundfeld. "Caso contrário, o STF assumirá sozinho o ônus por ter buscado uma solução."
A professora de Ciência Política e pesquisadora do Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos do Estado de São Paulo (Idesp) Maria Tereza Sadek também defende a tese de que o teto para o funcionalismo deve ser estabelecido pelos três Poderes o mais rápido possível. "A imagem do Judiciário foi arranhada, mas ele tem de ser um Poder forte e independente", afirmou.

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