Rio, 11 (AE) - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ilmar Galvão deferiu na noite de quinta-feira o pedido de liminar para que o processo que envolve o Bradesco no escândalo dos precatórios - fraude com títulos públicos estimada em R$ 3 bilhões - fique sob responsabilidade do STF e não mais com o Ministério Público do Rio. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, havia solicitado, em janeiro, que o STF assumisse o processo e suspendesse o andamento do caso na 1ª Vara Criminal Federal do Rio.
Esta decisão não é uma unanimidade entre os procuradores da República no Rio. Autores da denúncia, Artur Gueiros e Raquel Branquinho entraram com uma solicitação à Câmara Criminal da Procuradoria-Geral da República - um órgão técnico que serve de árbitro interno da instituição - pedindo que Brindeiro retire sua reclamação. Na tarde de hoje, o pedido foi julgado pela Câmara, que recomendou a formalização de pedido de desistência. A sessão foi realizada antes que os sub-procuradores tomassem conhecimento da decisão de Ilmar Galvão.
Em sua reclamação, Brindeiro alega que a ação penal em curso no Rio tem conexão com um inquérito que se arrasta na Justiça estadual pernambucana sobre a emissão dos precatórios, tendo como indiciados o ex-governador Miguel Arraes e seu sobrinho e ex-secretário de Fazenda Eduardo Campos. Como Campos elegeu-se deputado federal pelo PSB, ganhando, assim, direito a foro especial, os dois casos, para o procurador-geral, teriam de ser encaminhados ao STF.
Gueiros e Raquel argumentam que a atitude de Brindeiro traz prejuízos ao Ministério Público. "Queremos apurar o maior escândalo da história política recente do País", afirmou Gueiros.

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