O ministro Octávio Galotti, do Supremo Tribunal Federal, concedeu quarta-feira liminar que suspende o julgamento de Celina e Beatriz Abagge, acusadas de participar, em 1992, de um ritual de magia negra no qual teria sido sacrificado o menino Evandro Ramos Caetano, de sete anos. O julgamento estava marcado para começar no dia 17 de novembro. A decisão pode prejudicar a realização dos dois outros júris em que foi desmembrado o caso, envolvendo mais cinco acusados. Esses júris estão marcados para os dias 10 e 24 de novembro.
O pedido de habeas corpus foi impetrado segunda-feira pelos advogados Osmann de Oliveira, Ronaldo Botelho e Edson Abdalla. Eles pediram a anulação da pronúncia, sentença judicial que remete os acusados a julgamento pelo tribunal do júri.
‘‘Argumentamos que a pronúncia desse caso contém equívocos materiais graves’’, disse Oliveira. ‘‘Celina e Beatriz Abagge foram vítimas de uma armação.’’. No pedido, os advogados também questionam outros fatos do processo, como a designação de promotores auxiliares para atuar ao lado do promotor natural da comarca de São José dos Pinhais, onde o julgamento deveria acontecer.
A decisão ainda não é definitiva. A juíza Marcelise Weber Lorite, da Vara Criminal de São José dos Pinhais, espera que o pedido seja julgado no mérito antes do dia 10 de novembro, data marcada para o primeiro julgamento (dos réus Osvaldo Marcineiro, Davi Soares e Vicente de Paula). Ela disse ontem que, caso isso não ocorra, poderá analisar a possibilidade de adiar os júris do dia 10 e do dia 24 (no qual serão julgados Airton Bardelli e Sérgio Cristofolini), até que o STF dê a decisão definitiva.
Se, ao julgar o mérito da questão, o STF confirmar a anulação da pronúncia, a decisão atingirá automaticamente todos os sete acusados, atualmente em prisão domiciliar. Nesse caso, eles poderão ficar em liberdade pelo menos até que o Supremo analise um possível recurso da promotoria.

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