Moscou, 17 (AE-AP) - Desgastados depois da derrota na votação do processo de impeachment contra o presidente Boris Yeltsin, parlamentares russos encontraram-se hoje (17) com Sergei Stepashin, nomeado para primeiro-ministro, e indicaram que ele possivelmente será aprovado pela Duma - afastando por hora o confronto político verificado na semana passada.
Stepashin, nomeado depois de Yeltsin ter demitido o premier Yevgeny Primakov na semana passada, conversou hoje com deputados centristas para pedir o seu apoio. A Duma (Câmara baixa do Parlamento) deverá voltar na quarta-feira sua confirmação.
Se a Duma rejeitar por três vezes o indicado por Yeltsin para primeiro-ministro, o presidente pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Uma votação pró-impeachment poderia te dado à Duma imunidade contra sua dissolução. Mas a oposição - principalmente os comunistas - falharam em sua tentativa no sábado, e embora os comunistas ainda estejam furiosos com Yeltsin, eles provavelmente prefeririam aprovar o nome de Stepashin ao invés de confrontar o presidente, mantendo, desta forma, seus empregos.
Os três principais grupos políticos da Duma, incluindo os comunistas, demonstraram hoje estar prontos para aceitar o nome de Stepashin, e evitaram fazer qualquer comentário desfavorável a ele. O recuo foi um considerado surpreendente pelos analistas políticos, pois o ex-primeiro-ministro Primakov era popular na Duma, e os comunistas haviam condenado Yeltsin por tê-lo demitido.
Contrariando as previsões, o presidente da Câmara, Gennady Seleznyov (comunista), afirmou hoje acreditar que Stepashin poderá ser aprovado já na primeira votação.
O próprio líder comunista, Gennady Zyuganov, parece ter voltado atrás e agora não rejeita o nome indicado por Yeltsin. "Eu não excluo a possibilidade de Stepashin ser aprovado", disse ele a um canal russo de televisão.
Hoje, Stepashin discursou na Câmara alta do Parlamento (Conselho da Federação), também pedindo seu apoio e prometendo uma política mais efetiva para tirar a Rússia da crise econômica.
Embora o Conselho da Federação não vote na nomeação de primeiro-ministro, ele tem uma influência política considerável, inclusive na Duma.

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