Stepashin diz que fará "governo tecnocrático"
Moscou, 14 (AE-AP) - Em plena campanha para conquistar o apoio dos parlamentares, o primeiro-ministro interino, general Serguei Stepashin - designado quarta-feira pelo presidente Boris Yeltsin em substituição a Yevgueni Primakov - , disse hoje (14) que fará um "governo tecnocrático para um período de transição", que possa tirar a Rússia da crise econômica e social.
Esses planos incluem o pagamento da dívida externa, o prosseguimento das reformas econômicas liberalizantes e a manutenção da estabilidade do rublo. Ele se reuniu com funcionários da administração, no Kremlin, e assegurou que o núcleo do Executivo se manterá, pois não pretende fazer grandes mudanças no gabinete. A nomeação de Stepashin tem de ser aprovada pela Câmara Baixa do Parlamento russo (Duma), que realizará a primeira votação na quarta-feira.
O líder do Partido Comunista (PC) - principal bancada na Duma -, Guennadi Zyuganov, informou à imprensa que Stepashin vai encontrar-se com os líderes de diversos grupos políticos na terça-feira para discutir suas propostas. "Nós pretendemos ouvir as idéias do primeiro-ministro interino e suas consideraçãos sobre como pretende tirar o país da crise", comentou Zyuganov, negando que lhe tenham oferecido um cargo no governo, conforme rumores em Moscou. Ele também não disse se pedirá a seus correligionários que votem contra ou a favor de Stepashin.
Stepashin descartou a possibilidade de formar um governo de coalizão e anunciou as quatro tarefas que pretende pôr em prática, caso sua nomeação seja confirmada: busca de uma rápida aprovação dos projetos elaborados pelo governo Primakov e endossados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI ) e Banco Mundial; preparação de um plano com os princípios básicos do orçamento do ano 2000; encaminhamento, com urgência, do debate das contas do Executivo na Duma; cumprimento do orçamento atual, sobretudo no referente ao pagamento de salários, pensões e fundos para as regiões russas.
Segundo a agência russa Prime-Tass, Stepashin enfatizou que o fracasso na adoção do pacote de reformas - entre as quais medidas para aumentar a arrecadação de impostos - poria em perigo os acordos acertados com o FMI para recebimento de bilhões de dólares.
Se a candidatura de Stepashin não obtiver os votos da maioria absoluta na Duma, o presidente poderá encaminhar seu nome ou o de outra pessoa mais duas vezes. Não obtendo apoio em nenhuma delas, Yeltsin tem o poder de dissolver a Duma e antecipar as eleições legislativas marcadas para dezembro. Esse direito corre o risco de ser suspenso, porém, se amanhã a Duma aprovar o início do processo de impeachment, uma vez que a Constituição veta a dissolução do Parlamento enquanto se julga a destituição do chefe de Estado. Estaria aberta, assim, uma crise institucional.
Analistas políticos avaliam, porém, que o presidente chegará a um acordo com os deputados para a aceitação de seu candidato.





