Moscou, 09 (AE-ANSA) - O recém-destituído premier russo Sergei Stepashin disse hoje (09) que seu país corre o risco de perder a província sulista do Daguestão, onde pelo terceiro dia consecutivo as tropas federais entraram em conflito contra grupos armados de rebeldes islâmicos, que vieram da Chechênia e de outras regiões do Cáucaso.
"A situação no Daguestão é muito difícil. Penso que verdadeiramente podemos perder (a região)", declarou Stepashin ao concluir sua última reunião de gabinete.
Centenas de combatentes que aspiram a independência de Moscou tomaram o controle de pelo menos três aldeias nas montanhas do Daguestão, uma república vizinha da Chechênia, e há três dias resistem aos ataques da artilharia e dos helicópteros russos que tentam desalojá-los.
Hoje, segundo agências de notícias russas, novos tiroteios foram ouvidos enquanto que a polícia local cercava um local onde está reunido um "conselho islâmico", vinculado aos muçulmanos da Chechênia, que havia difundido um comunicado afirmando que proclamariam o Daguestão como um Estado islâmico.
O premier designado hoje por Yeltsin, Vladimir Putin, ex-chefe dos serviços secretos, decidiu anular imediatamente todas as disposições de seu predecessor Stepashin para o norte do Cáucaso.
Um sinal da grave situação na região, que está praticamente fora do controle das tropas russas, foi o ataque contra o helicóptero que levava hoje o chefe do Estado-maior do Exército russo, Anatoly Kravshin, que desde ontem estava no Daguestão.
Observadores expressaram hoje seu temor de que exploda a "bomba do Cáucaso", como é conhecida a região onde se recrudesceram os conflitos - especialmente religiosos - depois da queda do regime soviético, em 1991.
Na vizinha Geórgia, outra das repúblicas que tem fronteira com o Daguestão, a polícia disse que um avião russo bombardeou hoje um povoado do lado georgiano, ferindo duas pessoas.
Moscou desmentiu a informação, mas a tensão continua altíssima.
A televisão russa indicou que quatro policiais morreram e 17 ficaram feridos ontem, por causa de uma bomba lançada por "equívoco" pela aeronáutica russa. Mas os rebeldes chechenos deram outra versão e disseram as vítimas foram resultado de um enfrentamento com suas milícias.

mockup