Stédile terá processo por elogiar depredação no RS
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sexta-feira, 10 de março de 2006
Elder Ogliari<br>Agência Estado 
Porto Alegre- O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile será processado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul. A decisão foi tomada ontem pelo procurador-geral de Justiça, Roberto Bandeira Pereira, após ver a entrevista que Stédile deu a emissoras de televisão parabenizando as duas mil mulheres da Via Campesina. Elas destruíram um laboratório e um viveiro de mudas da Aracruz Celulose em Barra do Ribeiro (RS) na madrugada de quarta-feira.
O material também será analisado pelo promotor criminal, Sérgio Santos Marino, que vai decidir qual é o tipo de ação que será movida. ''É possível que seja por incitação ou apologia ao crime'', adiantou.
Não será a primeira vez que Stédile terá de se explicar à Justiça gaúcha. Em 2003 ele definiu os proprietário rurais como ''inimigos'' e disse que cada mil camponeses poderiam pegar um latifundiário. Chamado a explicar as declarações belicosas várias vezes, nunca se apresentou. Seus advogados conseguiram extinguir o processo no ano passado.
Três dirigentes da Via Campesina Internacional, o basco Paul Nicholson, Henry Saragih, da Indonésia, e Juana Serrer, da República Dominicana, teriam de prestar depoimento à Polícia Civil do Rio Grande do Sul ontem.
Por ordem da delegada Raquel Dornelles, de Barra do Ribeiro, eles foram intimados quando encerravam uma entrevista coletiva de avaliação da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural. Não assinaram a intimação, mas se comprometeram a comparecer voluntariamente para prestar explicações sobre o apoio que deram à invasão da Aracruz, em entrevistas. Eles elogiaram a invasão, alegando que a ação protestava contra o avanço de florestas de eucaliptos em áreas agricultáveis.


