Stédile: quebra de pedágios foi figura de retórica
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segunda-feira, 11 de outubro de 1999
por Gilse Guedes 
Brasília, 12 (AE) - O coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, disse hoje que vai confirmar na Polícia Federal as polêmicas declarações, caso seja intimado para depor num inquérito por causa do discurso propondo a destruição dos pedágios e a invasão de hidrelétricas. "O povo é contra os pedágios, as privatizações das estradas e o acordo do FMI (Fundo Monetário Internacional)", disse Stédile. Ele deve repetir, em depoimento, que usou apenas uma figura de retórica ao sugerir que os pedágios fossem "quebrados".
"Usei a palavra quebrar para mostrar a necessidade do fim dos pedágios", disse Stédile, que participou do Grito Latino-americano dos Excluídos em Brasília. "Vou levar todas as pessoas, que pensam como eu, para a PF", completou. Ele disse que não defende a destruição dos pedágios, porque a idéia do movimento é transformar as praças de pedágios em "símbolos de um governo que desrespeita a população". "Quem comete crime é o presidente Fernando Henrique Cardoso que privatizou estradas construídas com dinheiro público." Stédile disse que nunca esteve com a consciência tão tranquila. Ele é alvo de um inquérito da PF por causa de seu discurso na manifestação do movimento dos sem-terra no última quinta-feira, em Brasília, em que propôs que os pedágios fossem quebrados e as usinas invadidas no próximo dia 10, durante a greve geral que está sendo convocada.


