Aracaju - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile negou ontem ter feito incitação à violência quando convocou os sem-terra e pequenos agricultores para ''acabar'' com fazendeiros donos de áreas superiores a 2 mil hectares. ''Eu estava fazendo uma análise de conjuntura, nunca preguei luta armada, e defendo uma reforma pacífica'', justificou.
Ele voltou a fazer uma convocação nas manifestações pelo Dia do Trabalhador Rural, em Aracaju. ''Temos de multiplicar os acampamentos. Temos que mostrar que precisamos de terra.'' Também culpou a imprensa, que teria ''pinçado'' parte do discurso que fez no município de Canguçu, no Rio Grande do Sul.
''O MST não é baderneiro. Queremos que seja cumprida a Constituição e que se faça uma reforma pacífica'', disse Stédile. ''Quem quer violência são os fazendeiros, pois são eles que têm armas'', completou o líder do MST, para uma platéia de cerca de 17 mil pessoas, segundo a Polícia Militar. Stédile pregou a mobilização dos sem-terra em todo País para a que a reforma agrária seja feita o mais rapidamente possível e disse acreditar no governo Luiz Inácio Lula da Silva.
Em discurso feito no município de Canguçu, na quarta-feira, Stédile convocou todos os sem-terra e pequenos agricultores do País. ''A luta camponesa abriga hoje 23 milhões de pessoas. Do outro lado há 27 mil fazendeiros. Essa é a disputa'', discursou Stédile. Os 27 mil oponentes seriam os proprietários de áreas superiores a 2 mil hectares. Ele chamou os sem-terra de ''nosso exército'' e os ruralistas de ''inimigos''. Stédile lembrava sempre a diferença numérica entre os dois grupos, estimada por ele em mil trabalhadores rurais para cada fazendeiro. ''Será que mil perdem para um? É muito difícil. O que nos falta é nos unirmos, para cada mil pegarem um. Não vamos dormir até acabarmos com eles.''
O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, considerou um ''absurdo inconcebível, um equívoco brutal e uma agressão ao estado de direito e à democracia'' as declarações Stédile. Segundo o ministro, defender uma ação violenta para a reforma agrária é não ter compromisso com o império da lei, da democracia e da paz.

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