Stédile incita queima de lavoura de transgênicos e boicote a produto agrícola importado
Stédile incita queima de lavoura de transgênicos e boicote a produto agrícola importado14/Mar, 17:57 Por Chico Araújo Brasília, 14 (AE) - O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stédile incitou hoje os trabalhadores rurais a atear fogo nas lavouras de soja e milho transgênicos (geneticamente modificados) em todo o País. E também a boicotar produtos agrícolas importados. "Se tocarmos fogo, vamos cumprir a lei", justificou Stédile, ao citar liminar da Justiça Federal que proíbe o cultivo de transgênicos no Brasil. As declarações foram em palestra para as participantes do 1.º Acampamento Nacional de Mulheres Agricultoras, promovido pela Articulação Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais. Essa não é a primeira vez que Stédile sugere uma atitude radical. No ano passado, durante protesto em frente ao Banco Central, em Brasília, o líder do MST aos incentivou os manifestantes a destruírem pedágios das rodovias. A Polícia Federal instaurou inquérito contra ele. Poucos dias depois da declaração um pedágio foi destruído na rodovia Presidente Castelo Branco, em Boituva, SP. De acordo com Stédile, já que estão sendo destruídas lavouras de transgênicos no Rio Grande do Sul. Queimar essas plantações, argumentou, "é uma precaução com a saúde". Stédile disse ser inconcebível o País adotar os transgênicos porque nem mesmo os cientistas sabem que males uma planta geneticamente modificada pode causar ao ser humano e ao meio ambiente. Os europeus querem uma moratória de cinco anos antes de adotar os transgênicos. "Não podemos brincar com a saúde das pessoas", disse Stédile, durante palestra para as trabalhadoras rurais, no Grancircolar, na Esplanada dos Ministérios. O encontro reúne mais de 3 mil mulheres dos 26 Estados para debater as políticas nacionais para a agricultura, saúde e Previdência. Amanhã (15) as mulheres farão uma caminhada na Esplanda dos Ministérios, com parada em frente ao Palácio do Planalto. Boicote - O líder do MST defendeu o boicote às importações de produtos agrícolas. Dados do movimento indicam que o País investe anualmente R$ 8 bilhões em importações enquanto os investimentos em programas de agricultura familiar atingem apenas R$ 600 milhões. Para Stédile, a pauta de importação chega a ser rídcula porque tem desde "alpiste até maçã". "Vamos impedir a entrada desses produtos na fronteira, nas estradas e nos portos", disse o dirigente. Para isso, o MST deverá pedir ajuda a sindicalistas europeus, que têm experiência na área. O objetivo do boicote é alertar o governo brasileiro de que os produtos importados podem ser produzidos no País desde que haja incentivos. Stédile afirma que falta vontade política do governo para incrementar a produção agrícola brasileira. Paralisação - Em junho, segundo Stédile, o MST fará uma paralisação nacional para cobrar do governo mais crédito à agricultura, educação e saúde e mudanças radicais no programa de reforma agrária do governo. Ela envolverá os diversos movimentos rurais na maioria dos 5.507 municípios brasileiros, disse.





