Campinas, SP, 22 (AE) -Os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) João Pedro Stedile e Gilmar Mauro fazem palestras amanhã (23) para cerca de mil jovens no 2º Curso sobre Realidade Brasileira, no Ginásio Multidisciplinar da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Selecionados em assentamentos de 23 Estados, os jovens terão a incumbência de repassar as informações às suas comunidades. Em julho do ano passado a Unicamp ofereceu suas dependências para o MST fazer o primeiro curso para lideranças.
Organizado pela Escola Nacional Florestan Fernandes, o curso vai até o dia 28. O programa inclui aulas, palestras e discussões com políticos, acadêmicos e integrantes do MST. Stedile fala amanhã sobre A reforma agrária no Brasil: reforma agrária e movimentos camponeses. À tarde, Mauro aborda o tema "Situação e perspectivas do jovens do MST". À noite, os jovens assistirão a uma apresentação da Orquestra Sinfônica de Campinas.
O encontro prevê a discussão de temas como "As elites e os trabalhadores", "A história e a situação da agricultura no Brasil", e "Revolução cultural". Na quinta-feira frei Beto falará sobre "A utopia de uma nova sociedade e a importância do estudo e da militância jovem", enquanto o senador petista Eduardo Suplicy enfocará o tema "O direito de propriedade", no domingo (27) à tarde. Também vão participar José Arbex, da Universidade de São Paulo (USP), e José Graziano, da Unicamp.
O coordenador do setor de formação do MST nacional, Adelar Pizatta, disse que depois do primeiro curso os jovens passaram a atuar de forma mais efetiva nas comunidades em que vivem. "Durante o curso eles trocam informações e entendem porque a agricultura brasileira está nessa situação" disse. Segundo ele, os participantes também são incentivados a continuar vivendo no campo para não caírem na marginalidade nos centros urbanos.
A reitoria da Unicamp informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o sucesso do primeiro curso incentivou a instituição a renovar a parceria com o MST. Esse ano, a vinda dos jovens coincide com o início do ano letivo, marcado para amanhã. Para a universidade, isso permitirá um intercâmbio mais estreito entre militantes e universitários. Os jovens estão alojados no Ginásio Multidisciplinar e o MST mandou
para alimentá-los, cinco mil quilos de arroz e 900 quilos de feijão.
Marcha - Amanhã chegam a São Paulo aproximadamente 400 integrantes do MST. O grupo saiu de Matão a pé no último dia 07, percorrendo várias estradas. Na Capital, eles seguirão até a sede do Tribunal de Justiça do Estado, para reivindicar a libertação de seis integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), presos na região de Sorocaba desde o dia 10 de novembro do ano passado.
Os seis integrantes do movimento foram presos durante um protesto do MST, que resultou na depredação do pedágio na rodovia Castelo Branco, próximo ao município de Boituva. "A legislação determina a libertação dos acusados após 81 dias, quando não há provas, mas nossos companheiros já estão na cadeia há mais de cem dias", disse o líder da marcha, Edivar Lavratti. Segundo ele, o Tribunal de Justiça negou o pedido de habeas-corpus em favor dos acusados.

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