Gilse Guedes
Agência Estado
De Brasília
O coordenador do Movimento dos Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse ontem em Brasília que vai confirmar na Polícia Federal as polêmicas declarações, caso seja intimado para depor num inquérito por causa do discurso propondo a destruição dos pedágios e a invasão de hidrelétricas. ‘‘O povo é contra os pedágios, as privatizações das estradas e o acordo do FMI (Fundo Monetário Internacional)’, disse Stédile. Ele deve repetir, em depoimento, que usou apenas uma figura de retórica ao sugerir que os pedágios fossem ‘‘quebrados’’.
‘‘Usei a palavra quebrar para mostrar a necessidade do fim dos pedágios’’, disse Stédile, que participou do Grito Latinoamericano dos Excluídos em Brasília. ‘‘Vou levar todas as pessoas, que pensam como eu, para a PF’’, completou. Ele disse que não defende a destruição dos pedágios, porque a idéia do movimento é transformar as praças de pedágios em ‘‘símbolos de um governo que desrespeita a população’’. ‘‘Quem comete crime é o presidente Fernando Henrique Cardoso que privatizou estradas construídas com dinheiro público.’’
Stédile disse que nunca esteve com a consciência tão tranquila. Ele é alvo de um inquérito da PF por causa de seu discurso na manifestação do movimento dos sem-terra no última quinta-feira, em Brasília, em que propôs que os pedágios fossem quebrados e as usinas invadidas no próximo dia 10, durante a greve geral que está sendo convocada.

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