Porto Alegre, 10 (AE) - O líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, definiu como "pacífica mas contundente" e "extremamente positiva" a mobilização promovida nesta quarta-feira (10) no Dia Nacional de Paralisação e Protesto.
Ele participou de ato público na praça de pedágio de Eldorado do Sul, na região metropolitana de Porto Alegre, quando a passagem dos carros foi liberada para todos os veículos, sem pagamento de tarifa.
Também houve ocupações de praças de Viamão, na Grande Porto Alegre, e Vacaria, Nordeste do Estado. "As manifestações mostraram como a população está indignada com o governo FHC", disse. "Todos os motoristas nos apoiaram e até a Polícia Rodoviária Federal", enfatizou.
Respondendo sobre depredações que aconteceram em ocupação similar, ocorrida em São Paulo, Stédile atribuiu o incidente a um descontrole momentâneo. "Sempre tem alguém mais alvoroçado".
Garantiu que "esta não era a orientação". Indagado sobre suas declarações recentes, incentivando a depredação de pedágios
o dirigente do MST argumentou que suas palavras foram ditas no calor de um comício e que nunca pretendeu pregar qualquer destruição física mas a liberação da passagem dos veículos. "Na ocasião, logo depois de descer do palanque, eu expliquei minha intenção para os jornalistas", reforçou.
"O Fernando Henrique - continuou - pode ficar calmo que não pensamos em destruir pedágios." E explicou: "Nós pretendemos deixar as praças de pedágio como monumentos para, daqui a 20 anos, quando não houver mais o neoliberalismo, as pessoas saberem o que foi feito no país durante este governo, que entregou as estradas públicas."
Stédile acusou o Palácio do Planalto de insensibilidade social por estar "com os ouvidos cobertos por muros". Avisou que as mobilizações continuarão, com atos já programados para os dias 10 e 13 de dezembro.
"No dia 13, data do julgamento do Zé Rainha em Vitória, faremos uma grande manifestação", prometeu. E adiantou que, no último domingo de abril do ano 2.000, o MST, com o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), de sindicatos e de outras entidades da sociedade civil, realizará um plebiscito nacional sobre a dívida externa.

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