Stédile diz que governo
joga culpa nos sem-terra
João Naves de Oliveira
Especial para a AE

Arquivo Folha
Contra-ataqueJoão Pedro Stédile: ‘‘Sem-terra são vítimas deste governo’’O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, disse ontem que o governo federal está fugindo da responsabilidade pelos saques no Nordeste e jogando a culpa sobre os sem-terra, ‘‘vítimas desse governo’’. Ele lembrou que a indústria da seca é a maior culpada, mas os dirigentes do País ignoraram esse fato sempre procurando jogar a culpa sobre os mais pobres.
No sábado o ministro da Justiça, Renan Calheiros, anunciou que a Polícia Federal vai indiciar e pedir a prisão de 17 envolvidos em saques no NE, entre eles Stédile. O coordenador do MST não quis comentar as declarações. Ele se reuniu ontem com líderes regionais do MST-MS, em Campo Grande, depois de ter passado quatro dias na região de Mundo Novo. Ele também visitou vários acampamentos de sem-terra e esteve na fazenda Floresta Branca, em Itaquiraí.
Egydio Brunetto, coordenador regional do MST-MS e anfitrião de Stédile, disse estar está havendo uma disposição geral por parte das autoridades do Estado em agir imediatamente a qualquer movimento reivindicatório dos sem-terra. Para Brunetto, uma das demonstrações mais claras desse endurecimento foi a Portaria 325, de 29 de abril último, assinada pelos ministros Renan Calheiros e Raul Jungmann contra as invasões a prédios públicos.
O documento ameaça com punição os funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que negociarem com os sem-terra durante uma invasão e responsabiliza os invasores por qualquer prejuízo ao patrimônio. Esse procedimento, diz Brunetto, além de ser mais uma forma de pressão, faz parte da estratégia de jogar sobre os sem-terra a culpa pelos saques no Nordeste.
Ele lembrou que há quatro meses o Incra permitiu a 450 famílias de sem-terra ocupar a fazenda Indiana, no município de Japorã, região sul do MS, tendo como certa a desapropriação do imóvel. Entretanto, os proprietários cancelaram a desapropriação no Superior Tribunal de Justiça e, na sexta-feira passada, entraram com pedido de intervenção federal no governo do Estado, exigindo o despejo dos acampados.

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