Staub espera crescimento na produção de bens duráveis em 2000
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quinta-feira, 16 de setembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 17 (AE) - O empresário Eugênio Staub, da Gradiente, afirmou hoje que a produção de eletrodomésticos da linha marrom (aparelhos de som e vídeo) deve ter queda de 30% a 35% neste ano
depois da perda de 10% em 1997 e 23% em 1998. Para o próximo ano, no entanto, deve haver crescimento da produção de bens duráveis, afirmou Staub, que participou do encerramento do XIII Congresso Brasileiro de Economistas e VII Congresso de Economistas da América Latina e Caribe, no Hotel Glória, na zona sul.
Presidente do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi) da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Staub previu uma "expressiva reação" da atividade econômica a partir do último trimestre deste ano. "Já não podemos mais dizer que estamos em recessão", afirmou o empresário, apesar de reconhecer que a retomada da atividade ainda é "tímida".
Além disso, admitiu o empresário, os números que mostrarem esta recuperação vão ser beneficiados porque o período que será usado na comparação - o quarto trimestre de 1998 - teve atividade muito baixa. Apesar disso, o Iedi já trabalha com a previsão de equilíbrio do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, após a expectativa inicial de queda de 1%.
Exigência de desenvolvimento - A principal medida para a retomada do crescimento - a desvalorização do real - já foi tomada, lembrou Staub. "Outra boa notícia é que a sociedade agora exige desenvolvimento", afirmou. Ele justificou a demora na volta do aumento de produção e das exportações, esperadas com a mudança da política cambial, com o argumento de que muitas empresas, na época dos juros altos e câmbio controlado, se retiraram do mercado externo.
Staub admitiu que a previsão de saldo de US$ 600 milhões da balança comercial neste ano, feita há dois meses pelo Iedi, não pode mais ser levada em conta. O presidente do instituto calculou que o resultado da balança será de déficit ou neutro. Mas se não fosse a mudança no câmbio, o déficit chegaria a US$ 6 bilhões, de acordo com o empresário da Gradiente, citando estudo do Iedi. Para o ano que vem, as previsões são de superávits entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões, mas o número mais provável, arrisca o presidente da Gradiente, é de US$ 4,5 bilhões.
Staub defendeu um "complô positivo" entre empresários e governo para promoção do desenvolvimento, com formação de fóruns entre as duas partes para identificar setores que poderiam ser incentivados. "Protecionismo não é palavrão, se promove eficiência", argumentou.
Ele citou outro estudo feito pelo instituto, em 1998, com 12 países de características diferentes, como Malásia e Estados Unidos, que mostrou que todos adotavam medidas protecionisas. "A idéia de que subsídios, incentivos fiscais e subvenções estão fora de moda é outro mito que nos venderam", afirmou, em sua palestra no congresso.


