Santiago, 06 (AE) - O Brasil precisa aproveitar o momento positivo pelo qual está atravessando - depois dos efeitos da desvalorização do real - para avançar nas reformas estruturais que ainda estão por ser aprovadas. A recomendação foi feita hoje pelo vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Stanley Fischer. Ele não acredita que a onda de CPIs que investigam o sistema financeiro e o Judiciário venham a atrapalhar a reação positiva dos indicadores econômicos do País, mesmo depois da mudança na política cambial.
"O único problema seria essas investigações desviarem a atenção do Congresso dos temas reais, como a necessidade de aprovar as reformas estruturais pendentes", disse Fischer, durante uma entrevista na quinta Cúpula Econômica do Mercosul, organizada pelo World Economic Forum. Para ele, o momento é muito importante para o Brasil e não pode ser desperdiçado.
Embora seja difícil analisar de fora o que está ocorrendo nessas investigações, acrescentou Fischer, "não acredito que isso venha prejudicar o programa econômico do governo". Ele disse, porém, que o temor é que, na medida em que a crise vá se dissipando, o governo "relaxe" nas pressões para para aprovar as reformas tributária e previdenciária, por exemplo.
Fischer voltou a lembrar que a nova linha de crédito de contingenciamento aprovado pelo FMI será especificamente para prevenir crises em países que estejam devidamente qualificados e com políticas corretas. Além disso, explicou, os candidatos não poderão estar recebendo créditos normais do Fundo.
Sobre as três principais economias da América do Sul, o segundo homem do FMI disse que o Brasil, Argentina e Chile estão conseguindo defender-se bem da crise, razão pela qual os investimentos já estão voltando. Ele acredita que o Brasil terá este ano um crescimento negativo de 2,5%, pouco melhor do que as previsões iniciais, entre -3,5% e -4%.
Fischer acredita que a Argentina terá um ano difícil, mas poderá melhorar assim que os preços das commodities começarem a se recuperar no mercado internacional. Já o Chile deve apresentar crescimento, porém bastante reduzido, segundo Fischer, que não arriscou a dar a taxa de crescimento do PIB chileno para este ano.
Ele insistiu, entretanto, que a recuperação das três economias dependerá das políticas que adotarem daqui para frente e das reformas que precisam ser adotadas. Mas, acrescentou, "também dependerão das condições mundiais e do comportamento do sistema financeiro internacional". No momento, disse, a economia norte-americana anda bastante sólida e continua surpreendendo. Não há sinais negativos. Disse também que alguns países da ásia, principalmente a Coréia, Filipinas e Indonésia, começam a se recuperar, o que é bom para os preços das commodities.

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