São Paulo, 15 (AE) - A vulnerabilidade da economia brasileira a choques externos fez com que a Standard & Poor´s, uma das principais agências de risco de crédito do mundo, mantivesse a classificação do Brasil, mesmo com os sinais positivos de inflação e desempenho econômico. Em janeiro, pouco antes da mudança do regime cambial do País, a S&P rebaixou o Brasil em dois pontos: quanto à sua capacidade de honrar as dívidas em moeda estrangeira, cujo rating foi rebaixado de BB+ para BB-, e os compromissos em reais, que passou de BB- para B+.
John Chambers, diretor-gerente da S&P, e responsável pelas análises de risco soberano dos países, reconhece que foi surpreendente a capacidade de recuperação da economia brasileira
mas que isso ainda não permite uma mudança na classificação, basicamente porque o governo não deu sinais concretos de mudanças na política fiscal que permitam a obtenção de superávits primários nos próximos anos. Para ele, os sinais viriam por parte dos Estados, que se comprometeriam a manter seus gastos dentro dos limites.
Os economistas de maneira geral destacam a necessidade de se aprovar a Lei da Responsabilidade Fiscal, pois seria um passo importante para dar andamento ao programa fiscal brasileiro. Até porque vai permitir operacionalizar a reforma administrativa, já aprovada. Além disso, falta completar a reforma da previdência e fazer mudanças no arcabouço tributário brasileiro.
Sem resolver a questão fiscal, o que viabilizaria a redução da dívida pública, o Brasil continua numa posição bastante frágil, especialmente num cenário de alta das taxas de juros ou de desvalorização acentuada de ativos. "Uma nota não pode ser alterada a cada momento; são necessários movimentos consistentes", disse. Apesar da influência de uma alta nas taxas de juros de curto prazo dos Estados Unidos na economia mundial, Chambers não acredita que a economia barsileira venha a sofrer com a ação do Federal Reserve, o banco central norte-americano.

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