O projeto Ação Contra Aquecimento Global em Guaraqueçaba (litoral do Paraná), desenvolvido em uma área de 7 mil hectares da Sociedade para Proteção da Vida Selvagem (SPVS) foi apresentado em um evento paralelo na 6ª Conferência da Partes (Cop), que ocorreu em Haia, Holanda, na última semana. André Rocha Ferretti, coordenador do projeto, disse que o rendimento dos eventos paralelos foi maior que a conferência oficial. ‘‘Infelizmente, as grandes potências mundiais não permitiram um avanço nas discussões sobre o clima.’’
Por conta de um impasse entre dois grandes blocos dos países desenvolvidos, não foi possível a ratificação do protocolo de Kyoto na conferência, como estava previsto. Esse protocolo prevê a utilização de mecanismos para redução da emissão de carbono na atmosfera entre 2008 e 2012. ‘‘Não houve consenso em alguns aspectos técnicos e por causa disso a reunião terminou improdutiva’’, avalia Ferretti.
Outra representante da SPVS na conferência de Haia, Alexandra Andrade, continua na Holanda. Ela é responsável pelo planejamento de projetos de ação climática da entidade e foi buscar parceiros para novos projetos da SPVS no Paraná.
Até agora, apenas 20 países ratificaram o protocolo de Kyoto. Mas são países pequenos e sem importância na emissão de carbono. Os maiores poluidores, como comunidade européia, Estados Unidos, Canadá e Japão, só aceitam ratificar a proposta depois da definição de mecanismos de compensação. O Brasil também não reafirmou sua decisão. O protocolo só será considerado ratificado depois que países responsáveis pela emissão de 55% do carbono no mundo concordarem com seus termos. Os países desenvolvidos emitem cerca de 80% do carbono.
Só os Estados Unidos representam entre 25% e 36% das emissões mundiais. ‘‘Enquanto não houver acordo entre os Estados Unidos e a comunidade européia o protocolo não será ratificado’’, diz o ambientalista. O impasse se deve às compensações por ações que já existem para a redução de carbono. O grupo liderado pelos Estados Unidos defende que a diminuição da emissão de carbono na agricultura seja considerado no cálculo das emissões gerais de cada país. A comunidade européia não aceita essa compensação.
‘‘Acontece que na Europa não existe muita área para reflorestamento e agricultura, enquanto nos Estados Unidos e Canadá isso representa um diferencial significativo’’, explica o ambientalista. ‘‘Os interesses que estão em jogo são meramente econômicos.’’
O Brasil só vai assinar o protocolo depois que as regras ficarem claras. A posição oficial do país é intermediária entre os dois grandes grupos. A delegação brasileira aceita a compensação por novas áreas florestais, mas discorda da inclusão de práticas agrícolas conservacionistas e florestas já existentes nos cálculos compensatórios.
A próxima conferência anual das partes deveria acontecer em novembro de 2001, no Marrocos.

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