Rio, 27 (AE) - A norte-americana Sprint terá de se afastar da administração da Intelig, empresa-espelho da Embratel. No último dia 23, o juiz da 22ª.Vara Cível do Rio, Ricardo Couto de Castro, concedeu liminar à inglesa National Grid, maior sócia da empresa, para suspender a Sprint de qualquer decisão sobre as operações da telefônica. A National Grid tem 30 dias para entrar com uma ação principal de "dissolução parcial de sociedade" para excluir a Sprint da composição acionária da Intelig.
Com o acordo de fusão anunciado em outubro pela Sprint e pela MCI WorldCom, dona da Embratel, o controle das duas operadoras de longa distância passou a ser conflitante. A Sprint tem 25% da Intelig, mesmo percentual que detém a France Telecom. A National Grid tem 50%.
Segundo um dos advogados da National Grid, Regis Fichtner Pereira, por enquanto a Intelig não cogita pedir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que o início das operações da empresa seja adiado. Por determinação da agência, a Intelig tem de lançar seus serviços entre 10 e 24 de janeiro, e até lá os executivos ligados à Sprint já terão sido afastados, garante a National Grid.
Por lei, uma concessionária e sua empresa-espelho não podem ter os mesmos controladores. O advogado informou que a National Grid esperou a Sprint se retirar "voluntariamente" da Intelig, o que não aconteceu. Em comunicado à imprensa, a National Grid declarou que a iniciativa de pedir a liminar foi para "preservar a competição no mercado nacional de telefonia de longa distância".
"Não houve briga entre os sócios, mas a fusão causou problemas legais para a Intelig funcionar", explicou Fichtner Pereira. A National Grid não queria correr o risco de trocar informações com a Sprint. Por isso, diz o comunicado, desde o anúncio da fusão, Sprint e France Telecom, sócias da Intelig por meio de uma holding, não puderam participar das reuniões de acionistas, o que "vinha criando dificuldades para a tomada de decisões na empresa".
Os advogados da empresa inglesa devem entrar com a ação para pedir a saída da Sprint em menos de 30 dias. "Esperamos o fim do recesso do Judiciário, no dia 6, e devemos entrar com a ação antes do prazo final previsto", afirmou Fichtner Pereira.

mockup