São Paulo, 08 (AE) - A norte-americana Sprint não vai apenas retirar a sua participação de 25% na Intelig, empresa espelho da Embratel, mas também seus funcionários, caso ela realmente abra mão dessa participação. Afinal, é a Sprint que está desenvolvendo o marketing e a estrutura operacional da Intelig.
"Como a empresa é responsável por todo o desenvolvimento dos serviços de telefonia e da estratégia de marketing da Intelig, a venda de sua participação na empresa deverá causar a saída de funcionários importantes, o que acabaria atrapalhando os planos da operadora de conquistar uma parcela significativa do mercado no curto prazo", diz Andy Castonguay, analista especializado em telecomunicações da Pyramid Research, em São Paulo.
Com isso, a Intelig deve entrar em campo com forças reduzidas para competir com a Embratel. A Sprint parece não ter muita escolha por causa da recém-anunciada fusão de suas operações com a MCI Worldcom, numa transação avaliada em US$ 115 bi, mais US$ 14 bi de dívidas da Sprint.
A maioria dos analistas acredita que a Sprint desistirá de sua participação na Intelig, mas a empresa brasileira deverá enfrentar dificuldades se a equipe de sua controladora norte-americana também resolver abandoná-la.
A MCI controla a Embratel desde julho de 1998, época da privatização do sistema Telebrás. A Sprint, por sua vez, detém uma participação de 25% na Bonari Telefônica SA, que adotou o nome Intelig após uma campanha de três semanas que contou com a participação do público, para entrar na disputa pelo mercado de longa distância com a Embratel até o fim do ano. As regras que regulamentam as telecomunicações no Brasil exigem o estabelecimento de um mercado competitivo, o que não será o caso se a empresa que surgir da união da MCI com a Sprint mantiver as parcerias com a Embratel e a Intelig.

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