Londrina – Duas adolescentes de 14 anos precisaram ser atendidas pelo Samu no fim da tarde de quinta-feira após serem atingidas por um spray de pimenta no Colégio Estadual Marcelino Champagnat, na área central de Londrina. Com quadro de alergia aguda e paralisia temporária de braços e pernas, elas tiveram de ser hospitalizadas. Segundo o diretor Claudecir Almeida da Silva, as duas já receberam alta e passam bem.
O diretor contou que o spray estava na bolsa de uma aluna, mas foi disparado por um colega na sala de aula do 9º ano. As aulas foram interrompidas e 304 alunos foram obrigados a deixar o prédio. "O produto era tão forte que ninguém conseguia ficar lá dentro. Por segurança retiramos todos e só retomamos as aulas depois de meia hora", contou. Na sequência, os professores fizeram orientação aos alunos. "Agendamos um reunião com os pais dos alunos da sala onde foi registrada a confusão. Vamos fazer de tudo para que isso não volte a acontecer", contou Silva.
O caso foi atendido pela Patrulha Escolar. Os dois adolescentes que estavam com o spray foram encaminhados para a Delegacia do Adolescente. De acordo com o delegado William Douglas Soares, eles foram conduzidos à delegacia de plantão, assinaram um termo circunstanciado e foram liberados com o compromisso de se apresentar em audiência agendada na promotoria.
O comandante da Patrulha Escolar em Londrina, Walter João Marques Luiz, disse que o caso surpreendeu a PM, mas que as ações de apreensão do material e a repressão imediata foram realizadas com êxito.

FACILIDADE DE COMPRA
A facilidade de acesso ao spray de pimenta, considerado arma menos letal de uso restrito das polícias, assusta o diretor Silva. "A menina que levou o spray até a escola contou que comprou o artefato por R$ 35 no Camelódromo de Londrina. Se isso vira moda, estamos perdidos", alertou. A reportagem esteve no Camelódromo na tarde de ontem e encontrou o mesmo spray por R$ 25. O dono da loja contou que está se desfazendo de produtos de pesca para se dedicar exclusivamente a acessórios táticos de segurança. "É o que dá dinheiro, spray de pimenta, máquina de choque", revelou.
Na mesma barraca, dois adolescentes compraram um soco-inglês e perguntaram o preço de uma faca. Já outra loja, na Galeria Benjamin, ao lado do Terminal Central, faz propaganda do spray de pimenta em redes sociais. Um usuário pergunta quanto custa o spray, e o vendedor responde: R$ 55. Além das lojas físicas, as armas menos letais também são encontradas com facilidade em lojas virtuais.
O delegado da Polícia Federal, Felipe Bazzo, demonstrou preocupação com a situação. Segundo ele, a PF é responsável apenas pelo controle de armamento letal. A fiscalização sobre armas menos letais é de responsabilidade do Exército Brasileiro. "É importante deixar claro que estes produtos não são brinquedos e podem até matar. Não poderiam estar sendo vendidas em comércios não regulamentados", advertiu o delegado. A reportagem tentou contato com o Exército no final da tarde de ontem, mas não obteve sucesso.

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