Spray com amianto pode ter contaminado brasileiros
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quarta-feira, 14 de julho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 15 (AE) - O advogado Leonardo Amarante, que defende supostas vítimas de doenças provocadas por exposição ao amianto, vai contratar até o fim do mês um escritório de advocacia inglês para processar, na Justiça britânica, a empresa Turner & Newall. Ela forneceu o produto Limpet - um spray composto por uma camada de amianto fibroso, do tipo amosita, que era aplicado na superfície de estruturas ou revestimentos de construções - com exclusividade para a indústria brasileira de isolantes térmicos Temporal S.A., falida em 1994.
É a primeira suspeita de contaminação pela manipulação de produtos industriais com amianto. O contato com o mineral por inalação pode causar doenças como mesotelioma de pleura, um tumor maligno, e asbestose, o endurecimento do pulmão provocado por uma fibrose que causa perda progressiva da capacidade respiratória.
Um documento da Temporal S.A. mostra que a empresa utilizou o Limpet no revestimento da estrutura metálica do Edifício Central, construído na década de 60, na Avenida Rio Branco, centro do Rio. Segundo o advogado, a indústria teria utilizado o produto também para o isolamento térmico e acústico de outras construções, como os Cinemas Leblon 1 e 2, as Igrejas São Francisco de Paula, na Barra da Tijuca, e da Ressurreição, no Arpoador, e na confecção de esferas de gás para a Petrobrás.
O empresário Amaury Temporal, que foi sócio da Temporal S.A. até 1979, afirma que o produto parou de ser utilizado no fim da década de 70, por determinação da inglesa Turner & Newall. "O Limpet não existe mais no País há 20 anos", afirmou. "O risco de contaminação não era conhecido naquela época, tanto que o produto foi utilizado também na Europa." Ele confirmou a utilização do produto, que é feita por meio da técnica de jateamento, na construção do Edifício Central. O serviço de aplicação do amianto projetado era feito por 12 pessoas, em média, de acordo com o porte da construção.
Contaminação - Conforme o pneumologista Hermano Albuquerque, que coordena o Centro de Referência do Estado em Pneumologia Ocupacional, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a exposição ao amianto do tipo amosita - o amianto azul, utilizado no Limpet - é a que oferece o maior risco de contaminação, mas a doença pode demorar até 20 anos para se manifestar. "O jateamento, proibido na década de 80, é uma atividade que oferece um risco maior do que a exposição a que estão sujeitos aqueles que trabalham em minas ou na confecção de telhas", afirmou o pneumologista.


