Rio, 11 (AE) - A queda acumulada de 8,3% na produção industrial de São Paulo, no primeiro semestre deste ano, foi a principal responsável pela redução de 3,2% no índice nacional da atividade das indústrias. Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "São Paulo tem uma grande produção de bens de capital e bens de consumo duráveis, os mais atingidos pela alta dos juros", afirmou a economista do IBGE, Mirian Ferreira.
Em junho, São Paulo teve queda de 7,2% na produção industrial sobre junho do ano passado. Na média das 11 áreas pesquisadas, a redução foi de 2,9% no mês.
A indústria paulista vem apresentando queda na produção desde agosto de 1998. Nos primeiros seis meses deste ano, os resultados mais fracos foram registrados nas indústrias mecânica (- 18,8%), de material de transporte (-17,8%) , metalúrgica (- 14,6%) e de material elétrico e de comunicações (-13,5%). O aumento na produção das indústrias farmacêuticas (8,7%) e alimentícia (2,6%) contribuíram para suavizar a queda.
No acumulado de janeiro a junho, houve expansão da produção em oito das 11 áreas: Rio de Janeiro (7,3%), Paraná (2 1%), Bahia (2,0%), Ceará (1,7%), Pernambuco (1,6%), Santa Catarina (1,4%), regiões Sul (1,3%) e Nordeste (0,5%). Em junho, o maior aumento regional, de 6,2%, foi registrado no Paraná. O Rio teve expansão de 2,4%. Segundo a economista, foram favorecidas as regiões que produzem bens semimanufaturados, sobretudo para exportação, além de petróleo e gás.
No semestre, a pior queda depois de São Paulo foi registrada em Minas Gerais: 4,2%. O resultado foi impactado pela redução na fabricação de automóveis.
Trimestre - Os índices do segundo trimestre foram melhores do que os do primeiro. A produção das indústrias de São Paulo, que caiu 9,7% nos três primeiros meses do ano, sofreu redução de 7% no segundo trimestre.
"No segundo semestre, a produção deve melhorar por dois motivos", disse Mirian. "Primeiro, porque a produção estava muito deprimida, em função dos reflexos da crise na Rússia, no segundo semestre de 1998, base da comparação, e segundo porque esperamos queda dos juros."

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