Agência Estado
De São Paulo
O governador de São Paulo, Mário Covas, afirmou ontem que entregará, em 135 dias, duas unidades provisórias da Fundação para o Bem-Estar do Menor (Febem) com capacidade para 960 menores. Elas serão construídas em Franco da Rocha e cada módulo atenderá 80 crianças. O governador espera resolver o problema da superlotação e evitar novas fugas e rebeliões na Febem. Só no último mês, mais de mil menores fugiram.
A solução é provisória, até que possam ser erguidas unidades menores da Febem, que comportem de 60 a 80 crianças, como determinou a Justiça. ‘‘Mas isso leva tempo’’, disse Covas. Ele informou que estão em andamento as obras de unidades em Marília, Guarujá e Araraquara.
Covas afirmou que o esquema provisório será estendido aos presos dos Distritos Policiais após a construção de cinco unidades. ‘‘Nós entregamos 21 penitenciárias, com 17 mil vagas, e estamos com os distritos cheios de novo’’, reclamou. As afirmações do governador foram feitas ontem pela manhã, na unidade Imigrantes da Febem, em São Paulo.
O governador informou que manterá por tempo indeterminado o esquema de segurança reforçada na área externa da Febem Imigrantes, implantado na sexta-feira. De acordo com o governador, desde esse dia não ocorreram mais fugas. Um grupo da Escola de Educação Física da Polícia Militar vai orientar atividades esportivas dos menores para evitar o ócio, um dos fatores geradores de insatisfação e rebeliões.
Apesar de reconhecer as falhas, Covas disse que a Febem tinha apenas 1.800 vagas quando ele assumiu o governo e hoje são 3.200. ‘‘E não se pode dizer que o custo da criança seja baixo, já que uma criança na Febem custa R$ 1,7 mil por mês.’’
Além disso, a entrada de crianças na instituição é muito maior do que a saída, em uma proporção de 65 para 20 por semana. A unidade da Febem, com capacidade para aproximadamente 400 crianças, comporta mais de 1.300 menores. Covas também afirmou estar construindo um muro em volta da Febem Imigrantes. ‘‘São Paulo tem 10 milhões de pessoas e elas não podem viver sob a expectativa de que crianças estão fugindo’’, disse. Sobre os funcionários que estão ameaçando fazer paralisações, afirmou que serão demitidos.

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