SP tem 35 mil orelhões destruídos por mês
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quinta-feira, 24 de junho de 1999
Por Natalie Antar (especial para a AE) 
São Paulo, 25 (AE) - A cena repete-se indefinidamente. A pessoa aproxima-se, apressada, e descobre que terá de procurar um outro orelhão. O telefone público que havia escolhido está simplesmente sem fone. Resta apenas um fio pendurado, muita queixa e indignação. A vítima do vandalismo é um orelhão instalado na Praça Silva Teles, no Itaim Paulista, zona leste de São Paulo. Apenas um dos cerca de 35 mil aparelhos destruídos por mês - 1,1 mil por dia - na cidade.
Já a 20 minutos dali, em Ermelino Matarazzo, na zona leste, a reportagem flagra uma situação rara. Orelhões recebem cuidado especial de dois funcionários de uma empresa que presta serviços para a Telefonica.
São alvo de um ritual de limpeza. Animados, Aléx Moreira e Evérton de Lima, os dois de 25 anos, trabalham. Seguem um roteiro: tiram o pó, enceram e passam um produto químico para tirar os vestígios de pichadores, por dentro (no aparelho) e por fora (na cobertura) dos orelhões. "Dá pena quando achamos um aparelho quebrado, pois muita gente precisa usar, principalmente na periferia." Moreira e Lima dão um trato em pelo menos 70 orelhões por dia, somente na zona leste. Quando acham um quebrado, avisam a Telefonica. Satisfeitos com o trabalho, sentem que contribuem para melhorar a vida da comunidade. "Fazemos nossa parte; é importante as pessoas acharem um orelhão limpinho e cheiroso." Em contrapartida, o colega deles, Paulo Severino de Lima, de 38 anos, revela a mágoa: "É impressionante o número de orelhões quebrados, sem o bocal e pichados que encontramos."


