Rio, 14 (AE) - A cada mês, 18 milhões de litros de gasolina adulterada são vendidos na região metropolitana de São Paulo, o suficiente para encher o tanque de uma frota de 400 mil carros populares. Apesar da grande quantidade, isto representa apenas 6% do total de 300 milhões de litros consumidos por mês. Segundo resultado do monitoramento da qualidade de combustível feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) de março a junho, 94% da gasolina vendida em São Paulo estão dentro das especificações legais.
Antes do estudo, representantes de grandes distribuidoras estimavam em 30% o índice de adulteração e denunciavam a adição de solventes ao combustível. De acordo com o levantamento da ANP, o uso de solvente na fórmula do combustível em São Paulo teve proporção desprezível.
A alteração deveu-se essencialmente à mistura de álcool anidro em níveis acima dos 24% permitidos por lei. Segundo o diretor-geral da ANP, David Zylbersztajn, houve postos que registraram adição de 32% de álcool na gasolina.
No Rio, o porcentual de adulteração foi mais baixo: 3,7% de um volume comercializado mensalmente de 95 milhões de litros. Mas neste caso foi observada a presença de solventes na gasolina
numa proporção de 0,9%.
ZYlbersztajn considerou baixos os índices de irregularidades mas, mesmo assim, anunciou que está sendo estudada a alternativa de punições mais rigorosa para os fraudadores. Atualmente, não como interditar postos que estejam vendendo combustível adulterado.
A pena, além de multa, é o lacre das bombas nas quais for constatada a fraude. Há cerca de um mês, a ANP enviou à Casa Civil da Presidência da República um projeto para alterar a Medida Provisória que rege o assunto, permitindo o fechamento do posto. Além disso, a agência quer confiscar todo o combustível adulterado, com a alternativa de alterar a fórmula para "limpá-lo" ou então destruir o produto.
De janeiro a junho deste ano, a ANP interditou bombas de combustível em 219 postos e autuou 3.389 distribuidoras e postos de revenda em todo o País.
Zylbersztajn informou ainda que foi dado um prazo de mais 15 dias, a partir de hoje, para o recadastramento das distribuidoras de acordo com as novas normas da agência para o setor. Segundo ele, foi constatado que, além das 21 empresas que teriam registro cassado esta semana, outras distribuidoras também apresentaram documentação insuficiente. "Depois deste prazo, vamos cancelar registros e há, inclusive, distribuidoras grandes correndo o risco de ter sua operação suspensa", afirmou.
Qualidade - O estudo sobre qualidade de combustível foi feito por amostragem nas regiões metropolitanas do Rio e de São Paulo. A ANP recolheu aleatoriamente amostras de combustíveis de 200 postos em São Paulo e 109 no Rio.
Também ficou constatado, no levantamento, a divergência de preços nas duas cidades. No Rio, o preço é mais alto nos bairros com população de maior poder aquisitivo, enquanto em São Paulo, os preços são equilibrados, independente da região.
Em todo o País existem hoje 25.680 postos de revenda de combustível, mas segundo Zylbersztajn, a amostragem é bastante representativa por abranger os principais mercados do produto.

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