São Paulo, O3 (AE) - Duas rebeliões deixaram tensos os ânimos em uma delegacia do Morumbi e na Penitenciária de Parelheiros, zona sul. Ambas começaram ontem à noite. Nos dois lugares há superlotação. Ao todo, quatro carcereiros foram tomados como reféns. Os grupos amotinados tinham pistolas calibre 380 milímetros e trocaram tiros com a polícia. As autoridades ainda não têm pistas de como eles tiveram acesso às armas
Os motins ocorreram porque os presos foram surpreendidos quando pretendiam fugir. Em Parelheiros, eles dominaram três carcereiros - Nilton Celestino e os colegas identificados como Ari e Roberto. Estavam armados com uma pistola calibre 380 mm, uma garrucha e vários estiletes.
A rebelião na penitenciária começou por volta das 23 horas de quinta-feira e terminou perto das 11 horas de hoje. O coordenador dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado, Lourival Gomes, disse aos rebelados que liberassem os carcereiros ou a Tropa de Choque da Polícia Militar invadiria o prédio. Os amotinados concordaram.
Depredação - No 34.º Distrito, os 165 homens, que dividem seis celas projetadas para abrigar 30 pessoas, quebraram portas e paredes, puseram fogo em colchões e por pouco não fugiram. Perto das 21 horas de ontem, armados com duas pistolas calibre 380 mm, eles surpreenderam o carcereiro Osmar Wagner Muller.Ao ouvir gritos do carcereiro, dois investigadores foram ao seu encontro e trocaram tiros com presos.
Sem ter como fugir, os homens voltaram às celas. Muller ficou mais de duas horas sob a mira das pistolas. Com a chegada de reforço policial, os detentos liberaram o carcereiro e entregaram armas. Não houve feridos.
Pátio - Hoje os presos ficaram soltos no pátio, enquanto o delegado titular, José Roberto dos Santos, tentava transferências para outros DPs. Até o fim da tarde, a Divisão de Administração Carcerária garantira a transferência de 20 deles. Segundo Santos, mais da metade dos presos já foi condenada.

mockup