SP prepara venda de geradoras e duas áreas de distribuição de gás
São Paulo, 14 (AE) - Após o sucesso da venda da Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), com ágio de quase 120% sobre o preço mínimo do leilão, fixado em R$ 753,5 milhões, o governo paulista retoma agora as privatizações do setor energético. Até o final do ano devem ser levadas a leilão as três geradoras oriundas da cisão da Companhia Energética da São Paulo (Cesp), além das duas áreas de concessão de distribuição de gás no estado de São Paulo, encerrando a venda dos ativos paulistas de energia.
As três geradoras serão vendidas entre maio e junho. A primeira será a Cesp, com leilão marcado para 25 de maio e previsão de divulgação de preço mínimo entre 20 e 25 de abril.
A empresa manteve o nome da geradora original e reúne seis maiores usinas hidrelétricas do sistema: Ilha Solteira, Jupiá e Porto Primavera, no rio Paraná; Três Irmãos, no rio Tietê; Paraibuna, no rio Paraibuna; e Jaguari, no rio Jaguari. A potência total instalada, quando Porto Primavera (atual eng. Sérgio Motta) estiver em pleno funcionamento, será de 7,6 mil megawatts (MW).
A definição do preço mínimo das geradoras, segundo o governo paulista, depende do valor de venda Comgás. O ágio alto sobre o preço mínimo do leilão, como ocorreu, ajudará a reduzir a dívida da Cesp original, em torno de R$ 9 bilhões.
Recursos - O montante obtido no leilão da Comgás, R$ 1 652 bilhão, será usado integralmente para abater a dívida da Cesp. Também entrará na composição do preço mínimo da geração a definição da receita de transmissão de energia - setor mantido sob controle estatal - e que influi na tarifa das geradoras, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
As estimativas sobre os valor do setor de geração paulista, levando em consideração o quilowatt (kW) instalado, o patrimônio e o potencial de crescimento versus as dívidas da Cesp, variam de R$ 7,0 bilhões a R$ 10 bilhões. A Cesp remanescente está avaliada em cerca de R$ 4 bilhões, com ativos de R$ 19,9 bilhões.
Depois da Cesp remanescente, as outras duas geradoras a serem privatizadas são a Companhia de Geração de Energia Elétrica Paranapanema, em 9 de junho, e a Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, em 16 de junho. Ambas sem data de divulgação de preço mínimo prevista.
A CGEE Paranapanema está avaliada em R$ 1,1 bilhão e e tem ativos de R$ 3,7 milhões. A geradora reúne oito usinas - Canoas 1 e 2, Jurumirim, Chavantes, Salto Grande, Capivara, Taquaruçu e Rosana, todas no rio Paranapanema - com potência total instalada de 2,3 mil MW.
A CGEE Tietê, está avaliada em R$ 1,4 bilhão, com ativos ques somam R$ 1,9 milhão. Última geradora a ser privatizada, tem 2,6 mil MW de capacidade instalada, em nove usinas: Barra Bonita
Bariri, Ibitinga, Promissão, Nova Avanhandava, no rio Tietê; água Vermelha, no rio Grande; Caconde, Euclides da Cunha e Limoeiro, no rio Pardo.
Mesmo com a indefinição do preço mínimo, cerca de 20 empresas manifestaram interesse na Cesp Paraná e quatro delas já se inscreveram no data room da empresa. As que pediram inscrição são todas norteamericanas: Sithe, AEP, Reliant e AES. As demais são as seguintes: Endesa (Chile), Tractbel (Bélgica), Southern (EUA), VBC (Brasil), El Paso (EUA), Florida Power (EUA), Intergen (EUA), EDP (Portugal), PSE (EUA), Entergy (EUA), Dominium (EUA) e CMS (EUA).
Além das geradoras, o governo paulista também pretende licitar em breve, ainda sem data agendada, as outras duas áreas de concessão de distribuição de gás no estado: uma ao norte e ao outra ao sul, ambas ao longo do traçado do gasoduto Brasil-Bolívia.
Nos dois casos o preço de venda será menor do que o da Comgás, já que as duas áreas não têm obras nem estrutura de distribuição de gás instaladas. Para tornar a venda mais atraente, o governo paulista pretende abrir a licitação quando o gasoduto estiver efetivamente em operação.
áreas - A primeira área de licitação irá de Campinas a Três Lagoas, na divisa com Mato Grosso do Sul. O trecho total do gasoduto segue atravessando esse Estado, até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com uma extensão total de 1.970 quilômetros. Foi inaugurado no início de fevereiro mas ainda não está em funcionamento.
A segunda área, ao sul, acompanhará a parte paulista do segundo trecho do gasoduto, começa em Paulínia, passa por Sorocaba e termina no Vale do Ribeira, divisa com o Paraná. A segunda etapa do gasoduto - de Campinas a Porto Alegre, passando pelo Paraná e Santa Catarina - terá uma extensão total de 1.180 quilômetros e deve terminar ainda em 99.Por Jô Pasquatto ATENÇÃO EDITOR: Esta retranca corrige informação, no sexto parágrafo. Por favor, desconsidere a enviada anteriormente.





