Organizações ligadas ao desenvolvimento e cidadania deram início, há seis meses, a um programa de apoio à população negra brasileira em São Paulo, com o objetivo de ampliar a participação no mercado de trabalho. Implantado nos Estados Unidos na década de 60, os projetos de ação afirmativa também deverão se estender pelo País.
Um dos principais objetivos é garantir que uma parte das vagas nas universidade seja reservada aos negros, o mesmo acontecendo em relação ao número de bolsas de estudos a serem distribuídas. E, ainda, como acontece nos EUA, as empresas e instituições seriam incentivadas a garantir o emprego e a promoção dos afrodescendentes qualificados em seus quadros.
Numa rápida comparação, observa-se que os cidadãos negros nos Estados Unidos representam 12% da população. Após os programas de ação afirmativa, são também parte significativa da força de trabalho em todos os campos. O mesmo não acontece no Brasil, onde os descendentes de africanos representam mais de 40% da população, sendo, no entanto, em número insignificante nas universidades e no mercado de trabalho.
Para reverter este quadro, a Coordenadoria Especial do Negro (CONE), ligado à Prefeitura de São Paulo, está à frente de um desses convênios. O primeiro, ainda em fase de experimentação, a ser firmado com o SENAC, oferece cursos nas mais diferentes áreas.
A CONE tem se empenhado em colocar o programa em prática. No ano passado, a Universidade São Francisco ofereceu bolsas de estudos a univesitários negros, através desse projeto, garantindo o acesso ao ensino superior, após constatar que o número de universitários negros no país não chega a 15%.
Também na área de lazer, procura-se implantar a ação afirmativa. O SESC assegurou vagas para crianças negras em sua escolinha de futebol. E o Congresso Nacional Afro-brasileiro assegurou, através de um convênio com o SEBRAE, quatro mil bolsas a serem oferecidas a homens e mulheres de origem negra.
Além disso, o Centro Acadêmico da Faculdade de Ciências Sociais da PUC de São Paulo, através do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, promoveu no ano passado um curso pré-vestibular para estudantes negros, ministrado por professores, mestrandos e doutorandos da universidade, sem nenhum custo para os alunos.
Em todos esses programas, a intenção é garantir maior competitividade profissional à população negra, através de cursos profissionalizantes, atendendo a uma população que infelizmente ainda não foi absorvida, apesar da imagem de democracia racial que o Brasil procura explorar publicamente. As estatísticas têm comprovado maiores dificuldades em se integrar negros às universidades, clubes recreativos e a quadros profissionais, ainda que nenhuma postura excludente seja assumida.

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