São Paulo, 11 (AE) - A CPI do narcotráfico foi aberta às 15h30 na Assembléia Legislativa e bastaram apenas alguns minutos de sessão para que os deputados federais chegassem a uma conclusão. São Paulo, até agora, foi o único Estado que não afastou de seus cargos os policiais acusados de envolvimento com o crime. "Já passamos pelo Maranhão, Amapá, Paraná, Pará e Rio de Janeiro, e o único Estado os policiais estão soltos, alegres e contentes é aqui", denunciou o deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), relator da CPI. "Isso mostra que há alguma coisa no sistema, que está travado."
Os integrantes da CPI encontram-se com o governador Mário Covas e querem respostas convincentes sobre as razões pelas quais os policiais do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), apontados pela testemunha Laércio da Cunha, continuam trabalhando e o motivo pelo qual, cinco meses depois de a comissão investigar o crime organizado em Campinas, delegados e investigadores apenas foram transferidos dos postos de serviço e não estão na prisão.
"A polícia apenas transfere os investigados, faz como o avestruz que, quando vê perigo, esconde a cabeça", criticou o deputado Pompeu de Matos (PDT-RS). "Os acusados ficam pulando de galho em galho e ninguém resolve o problema."
Tanto Torgan quanto Matos admitiram a possibilidade de haver uma "banda podre" na polícia paulista, incentivada pela ineficiência de trabalho da corregedoria e da existência de corporativismo. Ambos também acusaram o secretário da Segurança, Marco Vinicio Petrelluzzi, de não tomar uma posição mais dura para resolver o problema. "Não depende apenas da corregedoria afastar os policiais; isso o secretário sabe fazer", disse Torgan.
A irritação dos deputados aconteceu durante o primeiro depoimento da sessão de hoje - o trabalho da CPI seguirá até sexta-feira. Convocados, o delegado seccional de Campinas, Djahy Tucci, que também responde pela corregedoria naquela região e assumiu o cargo há três meses, revelou que o delegado Ricardo de Lima, que chegou a ser preso em novembro, quando a CPI esteve na cidade, está em liberdade.

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